mardi, janvier 09, 2007

À FAVOR DAS RAVES E DE UMA MÍDIA DECENTE

Foi no ultimo domingo, à tarde, num dia de sol e de chuva, que mais de 100 mil pessoas das mais diferentes classes/ nacionalidades/ tribos se encontraram em um só lugar.

Nessa tarde, um palco enorme chamou a atenção de todos que passavam por Ipanema, e uma musica que parecia entrar no corpo, deixou muita gente inquieta. Não era festival de mpb, reggae, funk, samba, pagode, jazz ou musica clássica. Era uma festa cujo estilo musical que toca não agrada a muita gente que não entende nada sobre. Era uma festa que gera aversão em muita gente preconceituosa e mal informada. Enfim, gosto não se discute, não é verdade?

Mas o fato é que esse evento recebeu o olhar curioso de milhares de pessoas, que talvez ainda nem conhecesse do que se trata a festa, ou daquelas veteranas, de não perder nenhuma. Tinha gente de todas as idades, de todos os estilos. E posso apostar que a grande maioria desses olhares curiosos ficou encantado com a festa, nem que estivesse só de passagem.

Mesmo com toda a imagem negativa que é transmitida a respeito das raves, há muito mais prós do que contra nesses eventos, e se eu estiver mentindo, procure me convencer dos motivos que levam sempre muitos milhares de pessoas a freqüentarem essas festas.

A primeira imagem a qual grande parte (conservadora, mal informada e preconceituosa, repito) da sociedade associa as raves é a de um lugar com diversos adolescentes sem nada na cabeça se drogando, pulando durante 12 horas, ouvindo uma mesma musica repetitivamente.

A coisa não é bem por ai.

É óbvio que não podemos negar que rolam sim drogas ilícitas claramente na festa, mas jamais podemos generalizar dizendo que "na rave só tem drogado". Isso é uma grande mentira. Quem fuma maconha fuma em rave, na micareta, no baile funk, no reggae, no forró, no pagode, ou no show de rock. Fuma aonde quiser. Isso varia muito com a cabeça de cada um. Por favor, né, a festa é para maiores de 18 anos, pessoas teoricamente capazes de decidir o que é bom e o que é ruim para a própria vida, fazem mal a si mesmo, e não ao seu próximo. Isso depende do tamanho do juízo, da responsabilidade, e da consciência da pessoa (lembrando que ninguém aqui é a favor das drogas, só que as coisas devem ser vistas por outro ponto de observação).

Outra característica da rave é que, assim como a sociedade capitalista, é uma festa muito subjetiva, mas que, ao contrario da sociedade, consegue ser solidária ao mesmo tempo. Ninguém dança para fazer mal ao outro, machucar o outro, muito menos para aparecer, a pessoa simplesmente fecha os olhos, coloca os seus problemas no lado de fora do recinto, e dança até não poder mais.

Lá, ninguém tenta ser maior, melhor ou mais bonito que ninguém, pelo contrário, a beleza está na diferença, na tolerância com o estranho, na capacidade de dar a mão, levantar o outro chamando para dançar. Cada um por si, mas ninguém está sozinho.

Lá é o momento que você tem para esquecer da vida, do cotidiano, deixar a cabeça vazia, para a
musica poder entrar - e ninguém precisa se drogar para sentir isso, basta ter a cabeça aberta. O nome disso é alegria. A felicidade que te dá ao saber que todos que estão ao seu redor estão felizes também, é muito gratificante. A rave faz bem para o corpo e para a alma.

Briga, abusos, falta de respeito, nada disso... Não digo que não há, mas quase não acontece (e isso, os números de ontem em Ipanema comprovaram, a boa imagem que essa festa causou)! As pessoas lá buscam uma coisa só, que por incrível que pareça, quem traz é o barulho ensurdecedor do trance: essa coisa é a paz.

Paz é uma palavra muito pregada em campanha dentro da rave. E tanta gente encontra essa paz, que volta na próxima. E chama os amigos. E leva os filhos.

Chato é ver hoje nas páginas de jornais ou em noticiário na televisão que uma rave em pleno domingo no meio de Ipanema, com mais de 100 mil pessoas, foi ignorada. Mas se algo de ruim tivesse acontecido, seria capa do o globo, com toda a certeza.

Uma rave maravilhosa, com o melhor dj do mundo, de graça, com pessoas de bem, de paz, numa praia esplendorosa, para a mídia, simplesmente não aconteceu, ou foi qualquer coisa digna de uma notinha em canto de página de jornal, com no máximo cinco linhas.

Enquanto isso, uma ravezinha medíocre em Niterói ocupou a capa e noticia destaque em jornais durante quase uma semana. "Prenderam x adolescentes com drogas". "Houve x brigas". "Encontraram zilhões de irregularidades". No popular, era como se dissessem: "pais responsáveis, não deixem seus filhos irem nessas festas do demônio, que só dá merda!”.

Não sei se os grandes da mídia têm noção do quanto essas noticias repercutem na vida da população. Instigam os filhos a mentirem, os pais a ficarem preocupados, estimulam o preconceito, e a pessoas que gostam de 'viver perigosamente' a irem cada vez mais, e fazerem cada vez mais coisas que derem na telha, além da cara feia de toda a sociedade ao saber "puxa, logo você??? Uma menina tão certinha, indo nessas festas raves???? Quanta decepção!!!"

poxa, mídia, isso é preconceito, sabia?

Ha alguns anos atrás, faziam isso com o pobre do baile funk. As noticias cada vez mais freqüentes sobre prisões, drogas e mortes gerou na sociedade um quadro de que "baile funk só tem bandido", imagem que de repente saiu de moda, e foi desfeita pela própria mídia, colocando o assunto em novelas, fazendo documentários, artistas subindo morro e freqüentando os bailes, além de filmes, e diversas outras coisas aqui que eu poderia citar. Hoje em dia qualquer funkeiro é popstar.

Bandido, talvez tenha um dentro do seu trabalho. Drogados há em qualquer lugar, sendo de drogas ilícitas ou não, mas com certeza no seu bairro, talvez até no seu ciclo de amizades tenha um. Mas isso só é ressaltado quando lhe é conveniente, quando dá noticia, ibope. Parece que não seria interessante pintar um belo quadro da festa rave, logo, vamos pixá-la? É assim?

Desculpe, hipocrisia demais pro meu gosto. Não só pro meu, mas também de inúmeros jovens que a cada noticia sobre rave que passa, ficam mais perplexos. Ou a cada noticia que não passa.

Duas dicas aos queridos amigos jornalistas (sensacionalistas): freqüentem a festa rave, observem bem e com sensibilidade o clima da festa, e depois me contem como foi.
A outra?
Gosto, definitivamente, não se discute - nem se transforma em matéria de jornal.

Texto escrito por uma garota que não é nenhuma viciada em drogas, fora da lei, ou filhinha de papai, e sim uma estudante comum, que não tem nenhuma vidinha boa, tolerante e de cabeça aberta, como grande parte dos jovens do Brasil, e que fica triste todo dia de manhã ao abrir o jornal.

Liberdade de expressão E ACESSO A INFORMAÇÃO é um direito de todos.

4 commentaires:

Letícia a dit…

Eu simplesmente concordo com tudo o que você disse.Seu texto está perfeito.Simplsmente maravilhoso.
Arrasou!
Parabéns por ter escrito tão bem uma de nossas relidades tão tristes..
Beijos :*

Gembinha a dit…

olá...

cara falou td!! raves são festas que reunem pessoas de tds os tipos em um clima de paz e harmonia!

bjoooooooooo

yule a dit…

adorei o seu texto.
Gostaria muito de conversar com você. É difícil achar pessoas assim. que tenham a mente aberta, que obsevem o mundo ao seu redor com todos os critérios necessários. Enfim, meu msn é yulemans@hotmail.com, caso uma foto minha seja interessante, www.fotolog.net/lule

=)
Parabéns pelo modo como se expressou!

Floripa E-Festas a dit…

Adorei sua sinceridade, e as palavras que usou neste magnifico post... estou comentando um pouco atrasado mas é que só fui encontrar seu blog sem querer e me indentifiquei demais...

viva as raves e uma vibe positiva (Y)