samedi, novembre 24, 2007

Por quês.

Acontece um pouquinho depois da criança aprender a formular frases inteiras. Ainda não há aquele "filtro" entre pensar e dizer, ainda há expontaniedade, ainda há inocência e ainda falta muita intimidade com o mundo. Tudo é novidade. Se quer conhecer, quer descobrir, quer entender. Ainda é folha em branco. É a fase dos "por quês". Pouco escapa ao olhar atento de uma criança e à sua imaginação fertil em pleno período de plantio. E tudo tem uma explicação. Tem que ter! E, claro, mamãe sabe tudo, ela é gente grande, sabe responder. Pouco depois, criança começa a formular seu proprio universo, e a dar explicações para suas proprias perguntas. Aprende coisas na escola. Fase de "por quês" passa.

Até hoje, a minha não passou. Tenho quase certeza que gente grande não sabe tudo. Gente grande não consegue responder nem metade dos meus "por quês" e me ponho a questionar ainda mais. Ai eu pesquiso, estudo, investigo, tento achar a resposta sozinha. Nunca acho. É tão complicado! Eu pergunto pra Deus, mas raramente consigo entender o que Ele tem a me dizer. Ele é misterioso, tem a resposta pra tudo, e ainda assim cisma em deixar que a achemos por conta própria. A sociedade também não explica nada. Ela impõe. Já era assim desde antes de você nascer, se encaixe no sistema, não questione. A resposta da sociedade é sempre "porque sim" ou "porque não, oras". Não sabe de nada, não é de nada. E se for assuntos do coração então, ixi! melhor se calar e engolir a seco sua pergunta.

Por que eu não sei de tudo? Por que a gente tem de agir conforme o scrip? Por que é tão dificil seguir as batidas o coração? Por que "ser feliz" nem sempre tem a ver com "ser e fazer o que você quiser ser e fazer"? Por que não consigo distinguir direito que é coisa da minha cabeça e o que é realidade? Por que alguém disse que o "certo" é certo e o "errado" é errado? Por que temos que classificar e nomear tudo e todos? Por que as pessoas são tão individualistas? Por que tudo que é gostoso engorda? Por que não dá pra viver de sonhos? Por que não dá pra viver de flores, nem de brisa, nem de poesia e musica todos os dias? Por que as coisas não são do jeito que eu quero? Por que a razão é tão burra? Por que a gente faz besteira? Quem disse o que é bom e o que é ruim? Por que o desamor? Pra que a intolerância? Por que não dá pra falar em silêncio, olhando nos olhos, com todas as pessoas do mundo? Por que tudo passa? Tem mesmo alguém que escreve a tal história da gente, o tal destino tá mesmo traçado? Por que mulher não pode fazer xixi em pé? Por que chuva não tem gosto? Por que não fazem logo a reforma agrária, tributária e política? Por que não separam Estados por fatores culturais, étnicos e religiosos, e resolvem logo o problema do Oriente Médio e da África? Contos de fadas existem? Quem disse que o dia tem vinte e quatro horas? Por que o profissional da educação e da arte não é valorizado do jeito que devia, já que todo mundo precisa deles ? Já inventaram tudo, eu posso inventar algo de inovador também? Por que minha cabeça não pára de pensar, nem por um minuto? Por que eu não consigo dormir? Por que não posso voar? Tem vida em outro planeta ou lugar no universo? Quem nasceu primeiro? Existe vida após a morte, vidas passadas, vidas futuras, inferno, céu, essas coisas? Por que eu não posso ter você, assim, do jeitinho que eu sonhei? Cadê a pessoa que sabe me responder?

É, ainda me falta muita intimidade com o mundo. Acabei de aprender a formular frases inteiras. Ainda sou folha em branco











Notas:
- quanto as respostas, quem as souber, que me mande um e-mail muito didático e bem explicadinho. Ainda tenho muito a aprender.

mercredi, novembre 14, 2007

"Sucesso com seus textos (se vc quiser isso)".

Tem um tempinho, recebi um comentário (da Danizinha) em um dos meus textos ("A Cara do Estado"). Eu adorei o comentário, tá descontraído, engraçado, me elogia (olha eu.. modéstia ZERO!), mas teve uma frase que me chamou muito a atenção: "Sucesso com seus textos (se vc quiser isso)".

Adoro quando comentam aqui no meu blog. Admito que morro de vergonha que leiam alguma coisa que eu escrevi (textículos inúteis como estes, trabalhos de faculdade, recadinhos, ou até numeros de telefones), ainda mais quando leem na minha frente, mas acho ótimo quando me dão a opinião pessoal, o ponto de vista, o elogio, a crítica, whatever. Ainda assim, morro de vergonha.

O mesmo acontece com meus docinhos. Me amarro em faze-los, os acho deliciosos, mas, por favor, não os comam na minha frente!!! Para me deixar constrangida, basta fazer isso! Qualquer psicólogo que se preze diria que isso é reflexo do medo que tenho da reprovação, e que sou louca. Eu diria que "é que eu fico sem jeito", só isso (E, talvez sim, eu seja louca). Depois de comer por trás, óbvio, fico muito feliz quando os elogiam (e compram mais um, claro!). E uma vez me disseram: "Você tem uma mão boa pra doces, hein, já pode até abrir uma confeitaria, se você quiser, que você vai fazer fortuna com eles".

Fazer fortuna tudo bem, esta é minha intenção, né, se não nem venderia doces na faculdade, que é uma pagação de mico do caralho. Mas nunca tinha pensado em seguir carreira com isso. Nem com os textos.

Sem querer diminuir os escritores ou os vendedores de doce, de maneira alguma. Ambos são mega necessários na vida de todo mundo (que saiba ler e que goste de doces), mas nunca foi o que eu quis pra mim, por falta de talento e dinheiro.

Aí lembrei de um trechinho da Rita Apoena (que até já postei aqui uma vez): "só escrevo porque escrever é o que eu sei fazer de melhor. (E olha que a minha maior paixão sempre foi a dança)". E é a mais pura verdade. Não que seja a coisa que "eu sei fazer de melhor", até porque, não sei o que eu sei fazer de melhor (na minha opinião, fazer nada é o que eu sei fazer de melhor, faço nada muito bem), mas nunca foi um objetivo. Escrevo porque gosto. Faço doces porque gosto também, e só os vendo porque sou uma desempregada quase falida. Se não os distribuiria de graça.

Na vida, o que não me faltou foi resposta para "O que você quer ser quando crescer?". Já quis um pouquinho de tudo! Quando eu era criança, eu também queria ser dançarina (de "cabaret", porque achava o nome lindo, e não sabia o que era), mas não levava o menor jeito pra coisa. Depois quis ser super-heroína, astrônoma, fotógrafa, artista de circo, apresentadora de tv, jogadora de baskete, bióloga marinha, detetive, caminhoneira, contadora de história pra crianças, integrante de banda, professora de história, fazendeira, professora de língua estrangeira, designer, jornalista, artista plástica e rica. Não nasci pra fazer nada disso.

Depois, eu ví que paixão não tem, obrigatoriamente, que ter a ver com talento. Com o trabalho de uma é que vem a outra. Amar o que faz x Fazer o que ama (se sustentando assim): são coisas bem diferentes. Bom é quando as duas se casam, aí você chega ao sucesso. Objetivo, talento e paixão juntos, seria perfeito. Meu objetivo é ser diplomata. Meu talento é o ócio. Minha paixão não é uma, são muitas, e escrever está, com certeza, entre as Top 10.

Escrever é teriapia, escrever é passatempo, escrever é treinamento de olhar, de atenção, de observação, é formação de opinião, é cultura, escrever é arte, escrever é exercício físico e mental, escrever é vício, escrever é tudo, menos um trabalho: escrever pra mim é prazer. Me deixa registrada, imortaliza minhas idéias. Me torna parte.

"Quando eu digo que a minha vida é escrever, é isso mesmo. Mas poderia ser varrer as ruas. Eu só escrevo porque escrever é o que eu sei fazer de melhor. (E olha que a minha maior paixão sempre foi a dança). Mas se fosse varrer as ruas, seria varrer as ruas, oras... E seria tão bonito quanto! Porque eu não quero (juro!) ser melhor do que a maioria. Eu quero oferecer o melhor de mim para o mundo. Isso é ser medíocre. Isso é estar entre todos. Eu sinto uma forte sensação de enlace, de unidade com as pessoas e o planeta. Eu não quero me sentir especial. É o contrário. Eu quero me sentir parte. É por isso que eu escrevo. Para ser medíocre. "¹










Notas:
- O trechinho (¹) é do texto da Rita Apoema "Meu objetivo na vida é ser medíocre"
http://momentoana.blogspot.com/2006/08/meu-objetivo-na-vida-ser-medocre_14.html . A menina é uma fofa, tem uma sensibilidade incrível, e sabe das coisas. Quero até saber se o livro dela já saiu. No seu blog http://ritaapoena.zip.net , adoro as metáforas, o "Jornal das Pequenas Coisas", e o "Dicionário Educado". Vale a pena ler e se sentir "fofinha" também.

- A Dani indicou um blog muuito engraçado! http://www.jesusmechicoteia.com.br Morro de rir toda vez que entro lá pra ler, seja texto novo ou antigo que eu ainda não tenha lido. "Cabelos de beterraba e o Blogueiro mercenário", "A Boina Voadora", entre outros.. Já virei leitora assídua.

- Realmente, eu queria ser dançarina de cabaret. Enchia a boca pra falar isso, dos 9 aos 12 anos de idade, e não entendia porque nego ficava rindo da minha cara. E, PORRA, demoraram esses anos todos pra me contar que quem dançava em cabaret era... era... (acho que você entendeu). Que amigos lindos eu tenho..

- Não sei se isso tem alguma coisa a ver, mas adoro essas propagandas da última campanha do Itaú Personalité e achei que ela cairia bem aqui.



- Momento Merchan:
Brigadeiros, Biscoitinhos caseiros, Palha Italiana: $1, e os Bombonzinhos saem só a $0,50. ;)))



mardi, novembre 13, 2007

Tia Marcela,

Estranho como a terra girou, nesses quase seis meses que você não está mais aqui entre nós, como se não sentisse sua falta. Nada impediu que o dia de hoje chegasse e nos pusesse a dúvida sobre o que sentir a respeito. Hoje é o primeiro 13 de novembro, o primeiro aniversário de vida que comemoramos sem você. Por isso, não sei ao certo se devemos celebra-lo ou não. Nem a chuva que caiu ontem o dia inteiro adiou o dia de hoje. Às vezes, quando presto atenção nas pessoas andando nas ruas, nos carros que passam, nas paisagens que você também costumava ver, vejo que tudo continua tão igual, que a sensação que eu tenho é que, neste próximo Natal, você vai abrir a porta lá de casa carregando sacolas de presentes e sua parte na ceia, cheia de sorrisos e de coisas pra contar, deste período que você fingiu que morreu, mas na verdade foi passar férias nas Ilhas Gregas, e vai acabar com esse sonho ruim que estamos vivendo.

Há tanta coisa que eu ainda quero te dizer... As falo a quem? Não é questão de falta de fé, mas não sei se você pode mesmo me ouvir. Deus anda te contando as coisas que falo a Ele? Sempre peço por você. Espero que sim.

Primeiro de tudo, gostaria de me disculpar pela minha ausência de tantas vezes, que você tanto reclamava. Devia ser coisa da idade, adolescente, sabe como é, né. Família sempre esteve em primeiro lugar na minha vida, mas eu achava que sempre haveria um dia de amanhã, ou que vocês são imortais, sei lá. Hoje eu entendo que, na verdade, não há, e que segundas chances muitas vezes não nos serão dadas. Se eu tivesse tido sensibilidade suficiente pra entender isso, não teria tido tantas faltas com você. Se eu soubesse que, naquele domingo que você foi lá em casa, seria a ultima vez que eu te veria cheia de vida, sorrindo, eu teria mandado você fazer pose praquela sua ultima foto (aquela que eu bati e que, cá entre nós, ficou bem esquisitinha), e talvez eu diria algo além de "Até amanhã, Gustavo", e teria te dado um abraço bem apertado, ao invés de apenas beijar sua barriga, se eu soubesse que não haveria amanhã. Não sou boa de despedidas, ainda mais quando se sabe que nunca mais voltariamos a nos ver, mas eu acho que teria dito que te amo. Não me lembro de ter te dito isso, e você não sabe o quanto me dói. Se eu dissesse que te amo um monte de vezes, talvez Deus não tivesse te levado com Ele. Mas eu te amo tanto, tia...

As cenas dos dias 28 e 29 de maio ainda estão fresquinhas na minha cabeça, mas não é essa a lembrança que eu quero ter. Quero lembrar da sua gargalhada que não cabia em você, quero lembrar das coisas que você me falava, como ter me recriminado por ser uma chorona, no dia do seu casamento, que eu estava mais nervosa e emocionada que você. Quero lembrar das suas idéias de programar viagens que não viriam a acontecer nunca (nem se você ainda estivesse viva! hauah), ou o jeito que você pedia (ou melhor, MANDAVA) eu fazer doces e sobremesas depois dos almoços de família na casa da vovó, ou o seu frequente grito "OBAAAAA.. VOU ROUBAR!!" quando eu chegava com alguma roupa nova em casa. A propósito, comprei uns vestidinhos que tenho certeza que você iria querer "roubar" emprestado.

Eu lembro direitinho da sua voz, como se tivesse falado com você a dois minutos. Penso em você todos os dias. E só lembro coisas boas. Mas teve uma vez que eu achei que tivesse esquecido seu rosto. Fiquei desesperada. Não quero esquecer nunca, nem que eu tenha que andar com uma foto sua na bolsa.

E tem tanta coisa que eu queria te contar... Sempre falei às minhas amigas que a primeira pessoa que eu contaria coisas como a primeira vez, e etc, seria pra você. Pena que não tive a oportunidade. E, ainda que o mundo tenha continuado o mesmo desde que você se foi, aconteceram muitas novidades. Eu estaria cheia de fofocas pra contar.

Pra começar, cortei o cabelo curtinho, você ia me matar se soubesse, mas até que ficou bonitinho. Não faço mais aquelas escovas malucas não, elas estragaram meu cabelo; Aaah.. BOTEI APARELHO! To parecendo uma menina de ensino fundamental! E troco a cor da borrachinha por uma mais chamativa que a outra, a atual é verde-cor-da-minha-escova-de-dentes (pra combinar), mas ja botei amarelo, rosa, roxo...; Outra coisa, você ia me achar gorda. E to mesmo! hauhauah.. Mas parei de roer unha, fiquei mais vaidosa, e to me sentindo cada vez melhor; As faculdades vão indo... O Bennett vai relativamente bem, e a UERJ vai é indo de jegue. Ela ja pegou fogo, entrou em manutenção, ficou sem luz, houve passeatas, etc, só nesses 6 meses!; Quanto aos homens, continuo na mesma. Mas cheguei a "namorar" durante quatro dias! hauaha.. um recorde! Acho que vou morrer solteira, do jeito que você dizia que eu ia; As tendências primavera/verão estão mega coloridas, você ia adorar, e ia descobrir lugares baratos pra gente ir comprar roupa; O nosso Fluminense foi campeão da Copa do Brasil e já estamos na Libertadores do ano que vem. Mas você ia ficar decepcionada com seu filho Gui, que virou a casaca, deixou de vez de ser vascaíno pra ser flamenguista, tio Ronaldo tá puto!; Por falar nele, ele tá tentando retomar a vida, mas tá foda. Tá foda pra todo mundo (Mas não precisa se preocupar não, daqui a pouco a gente consegue); Eles saíram lá de onde que vocês moravam, compraram uma casa muito legal que você ia AMAR, em São Gonçalo, na vila da tia Bel, com moh espação em cima, pra churrascos e festinhas. Acho que o Natal deste ano deve ser lá; Gui tá cheio de namorada. Uma na vila, uma na escola, uma em não-sei-aonde. Levei ele ao circo, e ele adorou! A gente agora, finalmente, depois de sete anos sendo maltratada por ele, tá se dando bem! Ele só continua comendo mal pra caralho; E Gustavo.. ah, tia.. você ia amar estar vendo ele crescer, cuidando dele.. nunca vi criança mais linda e mais gostosa de lidar. Ele só sabe rir! Tem um sorrisão espalhafatoso igual o seu, deve ter puxado de você. Ele é careca e adora meu pai, fica tão bem no colo da minha mãe, e só chora comigo, porque eu sou uma desengonçada com bebês. No geral, ele é perfeito! Esperto e durinho.. já faz até barulhinho com a boca, e cocô fedorento; Lá em casa, Mamãe não desistiu e tá, finalmente, terminando o mestrado, André não vai passar no vestibular (tenho certeza!), e papai.. Tá na mesma!; O Brasil vai sediar a copa de 2014 (porque era o único candidato), foi campeão na Copa do Mundo de Beach Soccer, no Mundial de voley, e ficou em terceiro lugar no Pan; Não votaram ainda a CPMF, e a Beyoncé usa enchimento na bunda; O tempo ficou maluco, acho que é o aquecimento global; O túnel rebolças caiu; fizeram um filme brasileiro ótimo que você ia adorar, Tropa de Elite, com o Wagner Moura; Paraíso Tropical já acabou, o Olavo morreu e a Bebel virou mulher de deputado corrúpto de cueca manera.

Hoje seria um dia bom pra te contar tudo isso e muito mais. Hoje você faria 35 anos. Hoje ia ter bolinho na sua casa. Hoje todo mundo ia estar muito feliz. Acredita que um monte de gente, que não sabe do que aconteceu com você, te deixou parabéns no orkut??? hahauha.. parece piada, né! Queria que seu perfil fosse deletado, ia ser melhor, sabe, mas não sabemos sua senha.. aí não dá. Ou seja, nos proximos anos, ainda te mandarão parabéns pelo orkut. E a gente, o que faz? Comemora? Chora? Vai ao cemitério? Celebrar aniversário da morte de alguém que morreu é bem mais fácil que comemorar o aniversário de vida de alguem que não vive mais.

Meu desejo hoje, do fundo do coração, era poder cantar parabéns pra você, enfatizando com toda força que ainda tenho, o "muitos anos de vida", pra que você pudesse passar mais um século aqui com a gente. Era saber que você ainda vai abrir a porta lá de casa um dia, com fome de doces e muitos sorrisos, quando você voltar das suas férias nas Ilhas Gregas. Era fazer a dor de todo mundo passar, inclusive a minha. Era ter uma ultima oportunidade de voltar atrás e poder te dizer tudo que nunca disse. Era fazer o mundo inteiro parar de fingir que não sente a sua falta, e manda-lo girar pra trás, para que a gente não sinta mais a sua (porque você estaria aqui).

Mas não dá.
Aí as saudades são eternas..

Se, aonde quer que você esteja (seja no céu ou nas Ilhas Gregas) tiver internet - espero que sim, né - leia com muito carinho essa cartinha em forma de oração, pois é o único presente que agora posso te oferecer. E olhe sempre por nós, porque amaremos sempre você.

Beijos, da sua sobrinha mais "rebelde" que te ama muito,
Ana Paula.
Você é viva em mim.















ps: Eu boto "amém" no final??

jeudi, novembre 08, 2007

Com a bola toda.

É incrível o poder da auto-estima. Quando ela tá lá em cima, não tem pra ninguém: você é O(A) cara! Não há Brad Pitt ou Angelina Jolie que te supere. E quando ela está no dedão do pé... você é o pior dos seres humanos, consegue estar abaixo da linha da pobreza de espírito mais pobre que a dos meninos da Etiópia.

Há auto-estima em tudo na vida, isso é obvio. Até no setor financeiro que, mesmo se estiver na merda, pode ser facilmente resolvida, com um pouquinho de criatividade. Mas a criatividade só vem se.. a auto-estima te deixar ousar.

As mulheres que o digam (sou mulher, sei bem disso)! Nos dias poderosos do mês (que não são todos, por causa da maldita tpm), um esmalte vermelho, os pés no salto alto, escovão no cabelo, maquiagem e dress to kill, criam toda uma legião de homens babões por onde a gente passa. Esnoba-los então? Noooossa.. NADA melhor do que se sentir a mais gelada coca-cola do deserto de vez enquando! E esses dias nos são MEGA necessários, pra nos lembrar que estamos vivas - e podendo, pelo único fato de sermos mulheres - apesar de tudo. Agora, nos dias fossa (graças a maldita tpm, ou aos malditos homens na maioria das vezes), o que a gente mais quer é uma panela inteira de brigadeiro, e um clássico pró-depressão como "O Diário de Brigit Jones" por exemplo. Até curtir a fossa - quando bem aproveitada - é bom pra caramba. Tudo isso graças a oscilação da tal auto-estima.

Nunca fui uma garota de fazer virar pescoços masculinos, como a Juliana Paes. Muito pelo contrário. Baixinha, gordinha, nem sempre simpática (o que faz a auto-estima nem sempre estar no lugar certo), já passei poucas e boas nas mãos dela. São horas e horas insatisfeita com o espelho (ou seja, comigo mesma, pois o espelho nada mais é do que o meu reflexo) antes de sair de casa, mesmo pra ir pra faculdade. A pilha de roupas em cima da cama, o choro que "nada em mim fica bom", ou "to tãããão gorda", ou "meu cabelo é uma merda", e etc etc etc, já até cheguei ao ponto de falar para o meu pai comprar um espelho novo porque aquele estava com defeito. Ele sempre ri da minha cara quando isso acontece, e diz que "quando estamos insatisfeito com nós mesmos, nada fica bom". E, detesto ter que adimitir, mas ele tem toda razão. Até porque, quando minha auto estima tá nas alturas, eu invento roupas, invento moda, ouso qualquer coisa nova - e quase sempre é um sucesso.

Quando eu estava pra por o aparelho (nos dentes, sabe?) meu maior medo era a auto-estima sair correndo. Mas, contra isso, hoje mais do que nunca faço questão de passar em frente a obras, ou caminhoneiros: quanto mais fiu-fiu's eu ouço, mesmo de aparelho, melhor eu fico. Esse teste do peão e do operário é o melhor que há! O dia que você passar por eles e eles não mexerem com você, volte pra casa, amiga, pois alguma coisa de errado aí tem. Até agora, dois meses com o aparelho, minha tática vem dando certo. "Patinha feia hoje, Cisne daqui a dois anos".

A minha auto-estima financeira venho resolvendo aos poucos. Como não tenho tempo pra trabalhar, por causa das duas faculdades, comecei a vender a única coisa que uma gordinha que se prese sabe fazer bem gostoso: DOCES! Tudo, modéstia à parte, delicioso, e a preço de banana: 1 real! A variedade é ótima também, brigadeiros (branco, preto, branco e preto, e com pedacinhos de morango - castanhas a gosto do freguês), biscoitinhos e bombons. Não dá ÓÓÓ NOSSA O dinheiro, mas uns trocadinhos pro final de semana pelo menos eu tenho. Aos poucos, a auto-estima financeira vai ficando relativamente boa.

Mas não há exemplo melhor sobre a auto-estima do que os jogadores de futebol. Eles sim, são as maiores vítimas do incrível poder dela. Vide o exemplo do Botafogo: indiscutivelmente, o melhor time carioca que começou o ano. Podem vir os vascaínos, flamenguistas, tricolores, falar o que quiser, mas eles eram os melhores! O jogo emocionava! Era lindo ver o time jogando unido em campo, os gols de Dodô, a alegria do Cuca, aquela musiquinha da torcida, e tudo mais. O time estava com a bola toda! Mesmo perdendo o Estadual, mesmo não indo pra final da Copa do Brasil (graças a minha querida xará, Ana Paula, a bandeirinha mais bonita do mundo e, diga-se de passagem, sou realista ao ponto de afirmar que, se não fosse por ela, meu flusão não teria ganho a Copa do Brasil, e a gente não estaria respirando aliviado do jeito que estamos por já estar na Libertadores), mesmo com tudo de ruim que aconteceu, o time começou o brasileirão jogando bonito, esteve entre os primeiros (em primeiro até, se não me engano), até que... PLOFT! conseguiram fazer a auto-estima dos jogadores irem parar no chinelo (ou melhor, na chuteira).

Foi aquela invenção de dopping do Dodô? Foi olho grande?? Sei lá, não importa.. o fato é que, com a auto-estima baixa, o Botafogo não ganhava NADA! Nada mesmo, coitados.. era triste ver elezinhos indo embora do campo com mais uma derrota, dizendo "fazer o que, né?", os gols que não entravam, os juizes que "erravam", tudo conspirava contra eles. Culpa de quem????? Da tal auto-estima.

Minha vontade, de vez enquando, era entrar no vestiário deles - eu a do ra ri a, ui! - e tentar levantar-lhes a moral, sei lá, dar qualquer tipo de contribuição, nem que fosse um banho de arruda ou de pipoca pra melhorar a situação. Não o fiz, primeiro porque não sou botafoguense, porque não sei dar banho de arruda, e principalmente porque adoro cantar aquela musiquinha "NÃO GANHA NADA/ TIME DE CUZÃO/ FICA AI CHORANDO/ QUE ANO QUE VEM/ EU VOU PRO JAPÃO!!!". Se não, eu teria feito. Teria colocado a auto-estima deles no lugar onde devia estar. E eles teriam sido campeões do Campeonato Brasileiro ao invés do São Paulo.

Pelo menos, a umas rodadas atrás, eles se recuperaram, e fiquei feliz por eles. É bom que o Dodô volte a sorrir, para que deixe logo aquele time.

Mais uma prova que auto-estima TEM PODER!! E o dia que a sua estiver ruim, fale comigo, que eu consigo levanta-la num piscar de olhos! Nunca menosprese o que a sua auto-estima pode fazer por/de/com você, seja você homem, mulher, ou jogador de futebol. Lembre-se sempre: A Aninha (e os pedreiros) estão aí pra isso!

E uma ultima consideração: GRAÇAS A DEUS SOU TRICOLOR!















Notas:
- Ano que vem Dodô é nosso!!!! \o/

O jeito certo de cometer suicídio.

Eu fico pasma com as notícias que a gente costuma ler por aí, todo tipo delas. Tem cada coisa que acontece que mais parece piada inventada por um jornalista que não tinha mais sobre o que escrever, do que a pura realidade. Mas é a realidade. Esse mundo tá ficando cada vez mais doido (não sou só eu).

Mas enfim, não sei se vocês repararam, mas se matar tá na moda. Quer dizer, sempre esteve, mas por uma questão de ética, não se publica esse tipo de notícia em lugar nenhum, se matar é uma opção pessoal, a vida é sua, a morte também, e ninguém tem absolutamente nada com isso. Só que tem gente por aí que parece que tá se matando para chamar a atenção... não conseguem nem perder a própria vida de maneira discreta: tem que causar polêmica, receber os flashs, e virar estrelas (nem que sejam estrelas póstumas, como as estrelas - aquelas lá no céu, de verdade, que já morreram a zilhões de anos, mas só agora brilham).

Exemplo é o que não falta, como o caso daqueles adolescentes que morreram em acidente de carro, na Lagoa, quando saíram da boate, no ano passado (o motorista bebeu uma garrafa inteirinha de vodka e pegou o carro - depois não sabe porque morreu); como a perturbada que subiu no poste de alta-tensão e ficou dançando (ESSA FOI SENSACIONAL, não tive como não rir) e, por intervenção divina, não caiu (mas foi QUASE!); como o ladrão que pulou de uma ponte de 50 metros (CINQUENTA!!!) para FUGIR DA POLÍCIA e, ÓBVIO, bateu as botas; e, mais recentemente, aquele garoto de 17 anos que consumiu bebida alcóolica e tomou DEZ balas (comprimidos de ecstasy, não é bala juquinha não, por favor né) na Tribe, teve um troço e morreu (não quero voltar a discussão a respeito das raves não, todo mundo sabe muito bem o que eu penso - eu estava na rave e não morri!). PelamordeDeus, né, tá pedindo para morrer. Esse aí pelo menos foi bem sucedido, mas chamou tanta atenção que, graças ao irresponsável falecido, o local não vai receber mais eventos durante um bom tempo, além do circo todo que ele armou, né.

Outro dia, estava eu, feliz e contente, num ônibus lotado indo para a faculdade, passando pela ponte Rio-Niterói, ATRASADA, com um humor maravilhoso, eis que pego um grande engarrafamento, só para começar o dia bem. Motivo do engarrafamento: Uma mulher ameaçando se jogar do vão central. Nem sei se ela ainda esta viva para contar a história, mas, pelo tamanho do engarrafamento, ela enrolou tanto para pular que deve ter amarelado em cima da hora. Minha vontade, quando vi aquilo, era abrir a janela do ônibus e gritar: "PULA! PULA!" ou, quem sabe, ir pessoalmente lá dar um empurrãozinho a ela (literalmente).

Pensando nisso tudo, a amiga aqui resolveu dar uma ajuda aos problemáticos depressivos que não vêem mais a luz no fim do túnel e cogitam a possibilidade de suicídio, e criou o revolucionário MANUAL PARA O ALÉM. Simples e bem sucinto, ele é um conjunto de dicas que auxiliarão estas pessoas nesta hora tão trivial em suas vidas, de maneira rápida, prática, sem causar muita sujeita ou fofoca. Aqui vão algumas dicas:


1º passo: Decidir se matar.
A primeira coisa para cometer o suicídio é decidir se matar. Tenha motivos suficientes e convincentes para tal. Nada de "meu amor me deixou", "fui demitido", "minha vida não presta", etc etc e etc. Seja original. Arranje um motivo pelo qual não valha MESMO a pena viver. E que seja um motivo interno, sem influencias externas pois, para desligar a máquina antes da hora, nada nem ninguém tem que meter o bedelho nesta história. Ela é sua com você mesmo. SUICÍDIO - retirar a própria vida; VOCÊ SE matar; auto-assassinato; entendeu?

Motivo escolhido, vamos ao próximo passo.


2º passo: Decidir COMO se matar.
Este é um passo muito importante. É seu último ato. O seu Grand finale. Então, que seja com estilo! E seja prático, não pense em fins muito caros, que façam muita sujeira, ou muito barulho.

CORTAR OS PULOS? NEM PENSAR! Isso é fichinha. É coisa de quem não quer morrer de verdade. Até porque, não funciona, a não ser que o corte seja bastante profundo e esteja em água corrente, para causar A hemorragia, saca? E além do mais, imagina sua mãe ter que limpar aquilo tudo? Descarte essa opção.

De maneira NENHUMA pule de prédios. Possivelmente você vai cair em cima de algo ou alguém, e vai dar o maior prejuízo a quem não tem nada a ver com sua vida (ou sua morte), além de traumatiza-las, assusta-las, e reunir um bando de curiosos em volta para ver seu corpo todo desfigurado. Até hoje não consigo entender como aquele garoto da UFRJ foi para UERJ pular do décimo segundo andar. Imagina, você na janela, conversando distraído, até que cai um corpo assim, bem na sua frente? Tá maluco! Seja sensato com a sua morte e com os outros que estão em volta. Pular de pontes, ou pedras, ou qualquer coisa que tenha água (ou nada) embaixo até é uma boa, se você não ficar enrolando. Nada de "eu vou pulaaaaaaaaaar hein" "Não me segura que eu puloooo!!!", não.. chega de uma vez, grita "GERONIMOOOOOOO" no máximo, e vá com Deus. E seja rápido, se não você vai ficar com medo, e vai voltar ao passo 1.

Tomar remedinhos, produtinhos de limpeza.. arg, coisa de bicha! Se quiser ter overdose, aprenda com o moleque da rave: de 10 a 20 balas é perfeito. Mas faça isso dentro do seu quarto, de preferência, para não prejudicar a festa das outras 9.981 pessoas que estão lá para se DIVERTIR e não para se matar (descontei os 18 que passaram mal também). Com as químicas, você pode se sair mau sucedido e, no máximo, ir parar no hospital com uma puta intoxicação. Seja suicida porém inteligente.

Outra idéia estúpida é se tacar na frente de carros, ônibus, e adjacentes. Você pode ficar tretaplégico e não morrer. Cair de avião ou helicóptero também não é uma boa idéia. Não faça nada que alguém já tenha passado por isso e sobreviveu, é desanimador!

Enforque-se, caso tenha uma corda, tenha lugar para pendura-la, e SAIBA DAR AQUELE NÓ. Particularmente, eu não sei, nunca tentei, mas pelos filmes me parece ser MUITO complicado. Nozinho de sapato não serve não. Tem que ser um especial, e nisso não posso te ajudar.

Caso tenha uma arma, tiro na cabeça (ou na boca, pois explode o cérebro da mesma maneira, além de ser rápido). Só é meio barulhento, e não é todo mundo que tem uma 38 em casa, né. Mas eu considero o tiro a melhor maneira, junto com o veneno, igual Hitler fez.

Se você tiver acesso ao veneno, é uma boa. Mas tem que ser um veneno eficiente, de boa qualidade. Nem se importe se vai ser caro ou não, porque não vai ser você quem vai pagar seu próprio enterro e será seu ultimo investimento na vida. Se for veneninho de quinta categoria (como aqueles de rato, barata, ou armário da vovó), o que pode acontecer de mais grave com você é uma diarréia. Veneno bom é chiquérrimo! Grandes nomes da história e grandes personagens da literatura morreram assim (os da novela também. Imagina uma morte à lá Thais??? Produza-se linda(o) e bela(o), misture o veneno na sua bebida favorita, e pronto, não tem erro, fim da linha para você - e com muita classe, diga-se de passagem).

3º passo: Decidir QUANDO se matar.
Por favor, caro problemático, não venha fazer como a moça da ponte Rio-Niterói fez. Começo de semana, pela manhã, no único horário em que o trânsito fica consideravelmente bom, a mulher pára o transito para se matar, possivelmente por causa de um pé na bunda. Não faça isso JAMAIS! Os vivos e os que amam a vida ainda trabalham e estudam, pense neles! Escolha um horário propício, tipo, madrugada, ou o amanhecer. Escolha um lugar bonito ou especial, que você levaria com você por toda a eternidade. Faça do fim da sua vida, pelo menos, um pouquinho romântica, dramática, digna de cena de filme. Esteja calmo, e não se desespere, vai estragar a cena.

4º passo: Se despedir ou não se despedir? Deixar testamento ou não deixar testamento? Eis a questão..
Se você tem família, amigos, vizinhos, deixaria alguém triste ao saber da sua história ou com saudades ao saber que você partiu mais cedo, eu lhe aconselho a deixar sim algo escrito. Ou um presente. Ou qualquer coisa. Alguém se importa com você e, mesmo que você não se importe com ninguém, e não tenha herança boa para deixar no mundo, qualquer ultima palavrinha sua faria bem. Agora, se você não tem nada (nem para doar para caridade), nem ninguém, o outro lado te espera, vá logo e não enrola.

Agora é só respirar fundo, e ir com Deus (e que o diabo lhe carregue).

Mas minha última e mais importante dica é: há mil e umas maneiras de se matar infinitamente melhores do que todas essas idéias que dei aqui. Nada nunca está totalmente perdido, e nenhum motivo será suficiente para pensar em amarrar a corda no pescoço. Ao invés disso, morra de rir, morra de amores, morra de surpresa, se mate de trabalhar, mate o tempo, se afogue em lágrimas, se afogue na cachaça e na cerveja (durante uma noite só, tá, e vá de taxi - volte só se você lembrar), mate alguem de paixão e morra assim também, você não faz idéia do quanto é boa a vida depois dessas mortes. Este sim é o jeito certo de cometer suicídio. Morra pra essa vida que te daria motivos para pensar em morrer, que o paraíso que vem depois, quando se tem esperança, é muito bom. Você é uma espécie em extinção, portanto, não queira acelerar um processo que é inevitável, até porque, a gente mal nasce e já começa a morrer.

Agora ou depois, o fim de todo mundo é igual, seja a sete palmos do chão, seja virando pó (ou purpurina). E a vida é muito (MUITO mesmo) pra se resumir e acabar em uma rave, num pulo da ponte, ou numa insana escalada para dançar num poste de luz. Pensando bem... essa ultima até é uma boa, gostei da idéia, já que a mulher não morreu... eu posso também! (Não liguem o dia que aparecer no jornal: menina louca de 18 anos é resgatada pelos bombeiros - ui, delícia - dançando em cima de um poste de luz, na região metropolitana do estado do RJ.. ADOREI!)