dimanche, décembre 23, 2007

Jura de morte.

Deixo aqui registrado com minhas palavras que um dia eu inda hei de mata-lo, galo desgraçado. Você não tem hora, seu relógio biológico está errado! Cantas a noite inteira, não tens pena de ninguém, o sol mal se põe e tu ja te pões a cantar. Estás cantando pro sol que nasce no Japão, é? Galo desgraçado, estás no lado do mundo errado, também não terei pena de ti. Te arrancarei pena por pena, sem dó, as azuis, as negras, as vermelhas, ficararás depenado, nuzinho, pelado, aí quero ver você posar de bonitão pras galinhas do quintal. É, porque posas como se fosse o Rei do Galinheiro, e ainda acha que canta muito bem, não é? Não deve haver, no mundo, galo mais pretencioso. E ainda ousa cantar no ritmo! O tempo que tapo os ouvidos é marcado pelo (des)compasso do teu cocoricó. Dá meia noite, ele estufa o peito e começa sua cantoria maldita, como se um sol, à meia noite, estivesse prestes a nascer. Galinho sem jeito! Sonho contigo toda vez que durmo aqui. Quando dou um jeito de abstrair sua infeliz existência, tentando adormecer num sono quase profundo, daqueles que a gente inventa o roteiro do sonho ao fechar os olhos, você invade a minha mente, entrando pelos meus ouvidos, e bem na hora que o príncipe encantado vem pra me beijar, ele se transforma em galo e começa a cacarejar. Isso é crime! É invasão de privacidade, invasão de intimidade. Te processaria, se eu pudesse. Um dia ainda vais encontrar veneno no teu milho, armadilhas no teu puleiro, vou te fazer sofrer, vais pagar por cada noite aqui mal dormida, vou colar teu bico com superbonder, costura-lo, amarra-lo, pendurar-te pelos pés de ponta a cabeça, até você aprender que galo só canta ao amanhecer. Isso só pode ser problema de insônia, vá se tratar e não venha mais encher meu saco. Se quiser ver o sol nascer denovo, vá cantar de galo em outra vizinhança, senão vai parar pelado na panela, e vou trocar o perú por você na ceia de Natal, está entendido? Leia com atenção, letra por letra, galo maldito, este é meu ultimato. Te dou até minha proxima visita à Saquarema pra você atorodoar em outro lugar, de preferência, bem longe da casa da minha avó. E tenho dito












Notas:
- Galos não sabem ler, droga. ;\

jeudi, décembre 20, 2007

Diálogo

"— E você, por que desvia o olhar?

(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarra-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)


— Ah. Porque eu sou tímida."

(Rita Apoena)
Sujeitinho atrevido. Nasce assim sem pedir licença. Anda pelas ruas sem dar maiores explicações. Respira por aí impunemente. Quem ele pensa que é pra passar a existir assim sem mais nem menos? Não permito. Nem adianta chegar assim trazendo o sol pelo braço, com esse sorriso pendurado no rosto. Não, não permito que me invada assim feito brisa, com tanta leveza. Eu, que tenho o peso de tantas culpas, nunca conseguirei flutuar para acompanhá-lo, não vê? Sou noite sem lua, feita de matéria densa e escura, não posso conviver com tanta claridade. Por que insiste tanto em me amanhecer? Em mim nunca houve aurora, escutou? Não, claro que não, banhado em música, como haveria de perceber o silêncio em que me afogo? Por que insiste tanto em me resgatar? Por que chega de mansinho e me põe a bailar quando tudo o que eu queria era findar? E esses pés, que fazem eles, que não me respeitam mais e o acompanham como se tivessem sempre sido seus? Os olhos fecham-se, agora, e a ousadia da sua imagem escorrega, anguidamente, banhando-me de uma calmaria que abala o meu descompasso. Como se atrevem, você e essas partes todas de mim? Amor atrevido! Nasce assim, sem pedir licença! Corre pelas minhas artérias e veias, marcando território por todo o meu corpo. Nada mais me pertence. Meus sonhos, meus medos, as coisas que sou e não sei, as coisas que quero e não fui. Tudo agora parece mais leve, mais colorido, mais surreal. Como posso impedir o inevitável se já não sou o que era momentos atrás? Se agora, o que mais quero é deixar que o sol me carregue pelo braço, flutuando numa dança sensual, que me embota os sentidos e penetra as minhas entranhas, até que um novo dia aconteça.

(Texto da Maíra Viana - levemente adaptado.)

mercredi, décembre 19, 2007

Caminhando e cantando e seguindo a canção.

O verão ligou avisando que está a poucos dias de chegar em nossa cidade. Ele vem quente, bem quente, prometendo dias de sol escaldante, algumas tempestades de fim de tarde, e um calor no coração que não é sentido faz tempo. Ele quer fazer jus ao nosso título de 'Rio 40 graus', e quem sabe, bater seus proprios recordes.
Enquanto isso, a primavera, com ar de despedida, arruma suas malas, vai fazer uma viagem ao hemisfério norte mas só deve chegar lá em alguns meses (é que ela vai de onibus convencional pelo continente, e se tiver que atravessar o oceano, o fará de canoa, pra economizar e chegar rica ao seu destino). Quem aproveitou sua estadia por aqui, com certeza só estava pensando no.. projeto verão! Injusto? Pobre primavera.. tão bonita, mas sempre menosprezada porque precede a estação dos brasileiros.
Muito condecendente com o caso da primavera, eu passei essa estação inteira só pensando nela, nas flores, na brisa, e esqueci do projeto verão. Esqueci mesmo. Meus amigos já não aguentam mais minhas promessas primaveris de que "no próximo verão vocês não vão nem me reconhecer, de tão boa que eu vou estar". Este próximo verão que nunca chega. Tomei sorvetes, bebi cervejas, comi besteiras à noite. E.. estou uma bela bolinha. Uma bela bolinha fora dos padrões que não poderia jamais caminhar por itaquatiara desfilando suas curvas.
Para amenizar, corro atrás do prejuizo. Literalmente. E que delícia é caminhar! Niterói tem uma orla tão extensa e tão gostosa, ainda que fedorenta, privilegiada com a vista pro Rio e com a tranquilidade da qualidade de vida que os índices nos dizem ter. Pego ali, desde o centro de Niterói, aonde tem as Barcas e o Caminho Niemayer, e vou até a estrada Fróes.
Tênis, short, camiseta, filtro solar, fone no ouvido e pronto. Saio caminhando e cantando pelo calçadão afora. Não sei se é o vento no rosto, a musica no ouvido, o sol ou a paisagem, não sei se sou eu fazendo charme para mim mesma, ou se é o pensamento que fica mais leve a cada passo dado, nessas horas que, por estar feliz, a gente se sente mais singelo e se perdoa quase tudo. O trajeto é o mesmo, mas todo dia me deparo com algo diferente, um rosto novo na rua, outras passadas que por mim passam velozes, outro jeito do mar bater nas pedras. As tardes pintadas a dedo me mostram um quadro que merece ser visto todos os dias. Hoje não pelo corpo, mas caminho pela mente. Alivio tensões, não ligo pro horário, e canto alto sem me importar com os ouvidos alheios.
Me despeço da primavera beijando seus ventos. E novos ventos sopram por aqui. Ventos que abrem o caminho pro verão chegar, aquecer o coração e, ainda que não possa desfilar por itaquatiara, avise-o que irei visita-lo todo santo dia. E irei a pé.

samedi, novembre 24, 2007

Por quês.

Acontece um pouquinho depois da criança aprender a formular frases inteiras. Ainda não há aquele "filtro" entre pensar e dizer, ainda há expontaniedade, ainda há inocência e ainda falta muita intimidade com o mundo. Tudo é novidade. Se quer conhecer, quer descobrir, quer entender. Ainda é folha em branco. É a fase dos "por quês". Pouco escapa ao olhar atento de uma criança e à sua imaginação fertil em pleno período de plantio. E tudo tem uma explicação. Tem que ter! E, claro, mamãe sabe tudo, ela é gente grande, sabe responder. Pouco depois, criança começa a formular seu proprio universo, e a dar explicações para suas proprias perguntas. Aprende coisas na escola. Fase de "por quês" passa.

Até hoje, a minha não passou. Tenho quase certeza que gente grande não sabe tudo. Gente grande não consegue responder nem metade dos meus "por quês" e me ponho a questionar ainda mais. Ai eu pesquiso, estudo, investigo, tento achar a resposta sozinha. Nunca acho. É tão complicado! Eu pergunto pra Deus, mas raramente consigo entender o que Ele tem a me dizer. Ele é misterioso, tem a resposta pra tudo, e ainda assim cisma em deixar que a achemos por conta própria. A sociedade também não explica nada. Ela impõe. Já era assim desde antes de você nascer, se encaixe no sistema, não questione. A resposta da sociedade é sempre "porque sim" ou "porque não, oras". Não sabe de nada, não é de nada. E se for assuntos do coração então, ixi! melhor se calar e engolir a seco sua pergunta.

Por que eu não sei de tudo? Por que a gente tem de agir conforme o scrip? Por que é tão dificil seguir as batidas o coração? Por que "ser feliz" nem sempre tem a ver com "ser e fazer o que você quiser ser e fazer"? Por que não consigo distinguir direito que é coisa da minha cabeça e o que é realidade? Por que alguém disse que o "certo" é certo e o "errado" é errado? Por que temos que classificar e nomear tudo e todos? Por que as pessoas são tão individualistas? Por que tudo que é gostoso engorda? Por que não dá pra viver de sonhos? Por que não dá pra viver de flores, nem de brisa, nem de poesia e musica todos os dias? Por que as coisas não são do jeito que eu quero? Por que a razão é tão burra? Por que a gente faz besteira? Quem disse o que é bom e o que é ruim? Por que o desamor? Pra que a intolerância? Por que não dá pra falar em silêncio, olhando nos olhos, com todas as pessoas do mundo? Por que tudo passa? Tem mesmo alguém que escreve a tal história da gente, o tal destino tá mesmo traçado? Por que mulher não pode fazer xixi em pé? Por que chuva não tem gosto? Por que não fazem logo a reforma agrária, tributária e política? Por que não separam Estados por fatores culturais, étnicos e religiosos, e resolvem logo o problema do Oriente Médio e da África? Contos de fadas existem? Quem disse que o dia tem vinte e quatro horas? Por que o profissional da educação e da arte não é valorizado do jeito que devia, já que todo mundo precisa deles ? Já inventaram tudo, eu posso inventar algo de inovador também? Por que minha cabeça não pára de pensar, nem por um minuto? Por que eu não consigo dormir? Por que não posso voar? Tem vida em outro planeta ou lugar no universo? Quem nasceu primeiro? Existe vida após a morte, vidas passadas, vidas futuras, inferno, céu, essas coisas? Por que eu não posso ter você, assim, do jeitinho que eu sonhei? Cadê a pessoa que sabe me responder?

É, ainda me falta muita intimidade com o mundo. Acabei de aprender a formular frases inteiras. Ainda sou folha em branco











Notas:
- quanto as respostas, quem as souber, que me mande um e-mail muito didático e bem explicadinho. Ainda tenho muito a aprender.

mercredi, novembre 14, 2007

"Sucesso com seus textos (se vc quiser isso)".

Tem um tempinho, recebi um comentário (da Danizinha) em um dos meus textos ("A Cara do Estado"). Eu adorei o comentário, tá descontraído, engraçado, me elogia (olha eu.. modéstia ZERO!), mas teve uma frase que me chamou muito a atenção: "Sucesso com seus textos (se vc quiser isso)".

Adoro quando comentam aqui no meu blog. Admito que morro de vergonha que leiam alguma coisa que eu escrevi (textículos inúteis como estes, trabalhos de faculdade, recadinhos, ou até numeros de telefones), ainda mais quando leem na minha frente, mas acho ótimo quando me dão a opinião pessoal, o ponto de vista, o elogio, a crítica, whatever. Ainda assim, morro de vergonha.

O mesmo acontece com meus docinhos. Me amarro em faze-los, os acho deliciosos, mas, por favor, não os comam na minha frente!!! Para me deixar constrangida, basta fazer isso! Qualquer psicólogo que se preze diria que isso é reflexo do medo que tenho da reprovação, e que sou louca. Eu diria que "é que eu fico sem jeito", só isso (E, talvez sim, eu seja louca). Depois de comer por trás, óbvio, fico muito feliz quando os elogiam (e compram mais um, claro!). E uma vez me disseram: "Você tem uma mão boa pra doces, hein, já pode até abrir uma confeitaria, se você quiser, que você vai fazer fortuna com eles".

Fazer fortuna tudo bem, esta é minha intenção, né, se não nem venderia doces na faculdade, que é uma pagação de mico do caralho. Mas nunca tinha pensado em seguir carreira com isso. Nem com os textos.

Sem querer diminuir os escritores ou os vendedores de doce, de maneira alguma. Ambos são mega necessários na vida de todo mundo (que saiba ler e que goste de doces), mas nunca foi o que eu quis pra mim, por falta de talento e dinheiro.

Aí lembrei de um trechinho da Rita Apoena (que até já postei aqui uma vez): "só escrevo porque escrever é o que eu sei fazer de melhor. (E olha que a minha maior paixão sempre foi a dança)". E é a mais pura verdade. Não que seja a coisa que "eu sei fazer de melhor", até porque, não sei o que eu sei fazer de melhor (na minha opinião, fazer nada é o que eu sei fazer de melhor, faço nada muito bem), mas nunca foi um objetivo. Escrevo porque gosto. Faço doces porque gosto também, e só os vendo porque sou uma desempregada quase falida. Se não os distribuiria de graça.

Na vida, o que não me faltou foi resposta para "O que você quer ser quando crescer?". Já quis um pouquinho de tudo! Quando eu era criança, eu também queria ser dançarina (de "cabaret", porque achava o nome lindo, e não sabia o que era), mas não levava o menor jeito pra coisa. Depois quis ser super-heroína, astrônoma, fotógrafa, artista de circo, apresentadora de tv, jogadora de baskete, bióloga marinha, detetive, caminhoneira, contadora de história pra crianças, integrante de banda, professora de história, fazendeira, professora de língua estrangeira, designer, jornalista, artista plástica e rica. Não nasci pra fazer nada disso.

Depois, eu ví que paixão não tem, obrigatoriamente, que ter a ver com talento. Com o trabalho de uma é que vem a outra. Amar o que faz x Fazer o que ama (se sustentando assim): são coisas bem diferentes. Bom é quando as duas se casam, aí você chega ao sucesso. Objetivo, talento e paixão juntos, seria perfeito. Meu objetivo é ser diplomata. Meu talento é o ócio. Minha paixão não é uma, são muitas, e escrever está, com certeza, entre as Top 10.

Escrever é teriapia, escrever é passatempo, escrever é treinamento de olhar, de atenção, de observação, é formação de opinião, é cultura, escrever é arte, escrever é exercício físico e mental, escrever é vício, escrever é tudo, menos um trabalho: escrever pra mim é prazer. Me deixa registrada, imortaliza minhas idéias. Me torna parte.

"Quando eu digo que a minha vida é escrever, é isso mesmo. Mas poderia ser varrer as ruas. Eu só escrevo porque escrever é o que eu sei fazer de melhor. (E olha que a minha maior paixão sempre foi a dança). Mas se fosse varrer as ruas, seria varrer as ruas, oras... E seria tão bonito quanto! Porque eu não quero (juro!) ser melhor do que a maioria. Eu quero oferecer o melhor de mim para o mundo. Isso é ser medíocre. Isso é estar entre todos. Eu sinto uma forte sensação de enlace, de unidade com as pessoas e o planeta. Eu não quero me sentir especial. É o contrário. Eu quero me sentir parte. É por isso que eu escrevo. Para ser medíocre. "¹










Notas:
- O trechinho (¹) é do texto da Rita Apoema "Meu objetivo na vida é ser medíocre"
http://momentoana.blogspot.com/2006/08/meu-objetivo-na-vida-ser-medocre_14.html . A menina é uma fofa, tem uma sensibilidade incrível, e sabe das coisas. Quero até saber se o livro dela já saiu. No seu blog http://ritaapoena.zip.net , adoro as metáforas, o "Jornal das Pequenas Coisas", e o "Dicionário Educado". Vale a pena ler e se sentir "fofinha" também.

- A Dani indicou um blog muuito engraçado! http://www.jesusmechicoteia.com.br Morro de rir toda vez que entro lá pra ler, seja texto novo ou antigo que eu ainda não tenha lido. "Cabelos de beterraba e o Blogueiro mercenário", "A Boina Voadora", entre outros.. Já virei leitora assídua.

- Realmente, eu queria ser dançarina de cabaret. Enchia a boca pra falar isso, dos 9 aos 12 anos de idade, e não entendia porque nego ficava rindo da minha cara. E, PORRA, demoraram esses anos todos pra me contar que quem dançava em cabaret era... era... (acho que você entendeu). Que amigos lindos eu tenho..

- Não sei se isso tem alguma coisa a ver, mas adoro essas propagandas da última campanha do Itaú Personalité e achei que ela cairia bem aqui.



- Momento Merchan:
Brigadeiros, Biscoitinhos caseiros, Palha Italiana: $1, e os Bombonzinhos saem só a $0,50. ;)))



mardi, novembre 13, 2007

Tia Marcela,

Estranho como a terra girou, nesses quase seis meses que você não está mais aqui entre nós, como se não sentisse sua falta. Nada impediu que o dia de hoje chegasse e nos pusesse a dúvida sobre o que sentir a respeito. Hoje é o primeiro 13 de novembro, o primeiro aniversário de vida que comemoramos sem você. Por isso, não sei ao certo se devemos celebra-lo ou não. Nem a chuva que caiu ontem o dia inteiro adiou o dia de hoje. Às vezes, quando presto atenção nas pessoas andando nas ruas, nos carros que passam, nas paisagens que você também costumava ver, vejo que tudo continua tão igual, que a sensação que eu tenho é que, neste próximo Natal, você vai abrir a porta lá de casa carregando sacolas de presentes e sua parte na ceia, cheia de sorrisos e de coisas pra contar, deste período que você fingiu que morreu, mas na verdade foi passar férias nas Ilhas Gregas, e vai acabar com esse sonho ruim que estamos vivendo.

Há tanta coisa que eu ainda quero te dizer... As falo a quem? Não é questão de falta de fé, mas não sei se você pode mesmo me ouvir. Deus anda te contando as coisas que falo a Ele? Sempre peço por você. Espero que sim.

Primeiro de tudo, gostaria de me disculpar pela minha ausência de tantas vezes, que você tanto reclamava. Devia ser coisa da idade, adolescente, sabe como é, né. Família sempre esteve em primeiro lugar na minha vida, mas eu achava que sempre haveria um dia de amanhã, ou que vocês são imortais, sei lá. Hoje eu entendo que, na verdade, não há, e que segundas chances muitas vezes não nos serão dadas. Se eu tivesse tido sensibilidade suficiente pra entender isso, não teria tido tantas faltas com você. Se eu soubesse que, naquele domingo que você foi lá em casa, seria a ultima vez que eu te veria cheia de vida, sorrindo, eu teria mandado você fazer pose praquela sua ultima foto (aquela que eu bati e que, cá entre nós, ficou bem esquisitinha), e talvez eu diria algo além de "Até amanhã, Gustavo", e teria te dado um abraço bem apertado, ao invés de apenas beijar sua barriga, se eu soubesse que não haveria amanhã. Não sou boa de despedidas, ainda mais quando se sabe que nunca mais voltariamos a nos ver, mas eu acho que teria dito que te amo. Não me lembro de ter te dito isso, e você não sabe o quanto me dói. Se eu dissesse que te amo um monte de vezes, talvez Deus não tivesse te levado com Ele. Mas eu te amo tanto, tia...

As cenas dos dias 28 e 29 de maio ainda estão fresquinhas na minha cabeça, mas não é essa a lembrança que eu quero ter. Quero lembrar da sua gargalhada que não cabia em você, quero lembrar das coisas que você me falava, como ter me recriminado por ser uma chorona, no dia do seu casamento, que eu estava mais nervosa e emocionada que você. Quero lembrar das suas idéias de programar viagens que não viriam a acontecer nunca (nem se você ainda estivesse viva! hauah), ou o jeito que você pedia (ou melhor, MANDAVA) eu fazer doces e sobremesas depois dos almoços de família na casa da vovó, ou o seu frequente grito "OBAAAAA.. VOU ROUBAR!!" quando eu chegava com alguma roupa nova em casa. A propósito, comprei uns vestidinhos que tenho certeza que você iria querer "roubar" emprestado.

Eu lembro direitinho da sua voz, como se tivesse falado com você a dois minutos. Penso em você todos os dias. E só lembro coisas boas. Mas teve uma vez que eu achei que tivesse esquecido seu rosto. Fiquei desesperada. Não quero esquecer nunca, nem que eu tenha que andar com uma foto sua na bolsa.

E tem tanta coisa que eu queria te contar... Sempre falei às minhas amigas que a primeira pessoa que eu contaria coisas como a primeira vez, e etc, seria pra você. Pena que não tive a oportunidade. E, ainda que o mundo tenha continuado o mesmo desde que você se foi, aconteceram muitas novidades. Eu estaria cheia de fofocas pra contar.

Pra começar, cortei o cabelo curtinho, você ia me matar se soubesse, mas até que ficou bonitinho. Não faço mais aquelas escovas malucas não, elas estragaram meu cabelo; Aaah.. BOTEI APARELHO! To parecendo uma menina de ensino fundamental! E troco a cor da borrachinha por uma mais chamativa que a outra, a atual é verde-cor-da-minha-escova-de-dentes (pra combinar), mas ja botei amarelo, rosa, roxo...; Outra coisa, você ia me achar gorda. E to mesmo! hauhauah.. Mas parei de roer unha, fiquei mais vaidosa, e to me sentindo cada vez melhor; As faculdades vão indo... O Bennett vai relativamente bem, e a UERJ vai é indo de jegue. Ela ja pegou fogo, entrou em manutenção, ficou sem luz, houve passeatas, etc, só nesses 6 meses!; Quanto aos homens, continuo na mesma. Mas cheguei a "namorar" durante quatro dias! hauaha.. um recorde! Acho que vou morrer solteira, do jeito que você dizia que eu ia; As tendências primavera/verão estão mega coloridas, você ia adorar, e ia descobrir lugares baratos pra gente ir comprar roupa; O nosso Fluminense foi campeão da Copa do Brasil e já estamos na Libertadores do ano que vem. Mas você ia ficar decepcionada com seu filho Gui, que virou a casaca, deixou de vez de ser vascaíno pra ser flamenguista, tio Ronaldo tá puto!; Por falar nele, ele tá tentando retomar a vida, mas tá foda. Tá foda pra todo mundo (Mas não precisa se preocupar não, daqui a pouco a gente consegue); Eles saíram lá de onde que vocês moravam, compraram uma casa muito legal que você ia AMAR, em São Gonçalo, na vila da tia Bel, com moh espação em cima, pra churrascos e festinhas. Acho que o Natal deste ano deve ser lá; Gui tá cheio de namorada. Uma na vila, uma na escola, uma em não-sei-aonde. Levei ele ao circo, e ele adorou! A gente agora, finalmente, depois de sete anos sendo maltratada por ele, tá se dando bem! Ele só continua comendo mal pra caralho; E Gustavo.. ah, tia.. você ia amar estar vendo ele crescer, cuidando dele.. nunca vi criança mais linda e mais gostosa de lidar. Ele só sabe rir! Tem um sorrisão espalhafatoso igual o seu, deve ter puxado de você. Ele é careca e adora meu pai, fica tão bem no colo da minha mãe, e só chora comigo, porque eu sou uma desengonçada com bebês. No geral, ele é perfeito! Esperto e durinho.. já faz até barulhinho com a boca, e cocô fedorento; Lá em casa, Mamãe não desistiu e tá, finalmente, terminando o mestrado, André não vai passar no vestibular (tenho certeza!), e papai.. Tá na mesma!; O Brasil vai sediar a copa de 2014 (porque era o único candidato), foi campeão na Copa do Mundo de Beach Soccer, no Mundial de voley, e ficou em terceiro lugar no Pan; Não votaram ainda a CPMF, e a Beyoncé usa enchimento na bunda; O tempo ficou maluco, acho que é o aquecimento global; O túnel rebolças caiu; fizeram um filme brasileiro ótimo que você ia adorar, Tropa de Elite, com o Wagner Moura; Paraíso Tropical já acabou, o Olavo morreu e a Bebel virou mulher de deputado corrúpto de cueca manera.

Hoje seria um dia bom pra te contar tudo isso e muito mais. Hoje você faria 35 anos. Hoje ia ter bolinho na sua casa. Hoje todo mundo ia estar muito feliz. Acredita que um monte de gente, que não sabe do que aconteceu com você, te deixou parabéns no orkut??? hahauha.. parece piada, né! Queria que seu perfil fosse deletado, ia ser melhor, sabe, mas não sabemos sua senha.. aí não dá. Ou seja, nos proximos anos, ainda te mandarão parabéns pelo orkut. E a gente, o que faz? Comemora? Chora? Vai ao cemitério? Celebrar aniversário da morte de alguém que morreu é bem mais fácil que comemorar o aniversário de vida de alguem que não vive mais.

Meu desejo hoje, do fundo do coração, era poder cantar parabéns pra você, enfatizando com toda força que ainda tenho, o "muitos anos de vida", pra que você pudesse passar mais um século aqui com a gente. Era saber que você ainda vai abrir a porta lá de casa um dia, com fome de doces e muitos sorrisos, quando você voltar das suas férias nas Ilhas Gregas. Era fazer a dor de todo mundo passar, inclusive a minha. Era ter uma ultima oportunidade de voltar atrás e poder te dizer tudo que nunca disse. Era fazer o mundo inteiro parar de fingir que não sente a sua falta, e manda-lo girar pra trás, para que a gente não sinta mais a sua (porque você estaria aqui).

Mas não dá.
Aí as saudades são eternas..

Se, aonde quer que você esteja (seja no céu ou nas Ilhas Gregas) tiver internet - espero que sim, né - leia com muito carinho essa cartinha em forma de oração, pois é o único presente que agora posso te oferecer. E olhe sempre por nós, porque amaremos sempre você.

Beijos, da sua sobrinha mais "rebelde" que te ama muito,
Ana Paula.
Você é viva em mim.















ps: Eu boto "amém" no final??

jeudi, novembre 08, 2007

Com a bola toda.

É incrível o poder da auto-estima. Quando ela tá lá em cima, não tem pra ninguém: você é O(A) cara! Não há Brad Pitt ou Angelina Jolie que te supere. E quando ela está no dedão do pé... você é o pior dos seres humanos, consegue estar abaixo da linha da pobreza de espírito mais pobre que a dos meninos da Etiópia.

Há auto-estima em tudo na vida, isso é obvio. Até no setor financeiro que, mesmo se estiver na merda, pode ser facilmente resolvida, com um pouquinho de criatividade. Mas a criatividade só vem se.. a auto-estima te deixar ousar.

As mulheres que o digam (sou mulher, sei bem disso)! Nos dias poderosos do mês (que não são todos, por causa da maldita tpm), um esmalte vermelho, os pés no salto alto, escovão no cabelo, maquiagem e dress to kill, criam toda uma legião de homens babões por onde a gente passa. Esnoba-los então? Noooossa.. NADA melhor do que se sentir a mais gelada coca-cola do deserto de vez enquando! E esses dias nos são MEGA necessários, pra nos lembrar que estamos vivas - e podendo, pelo único fato de sermos mulheres - apesar de tudo. Agora, nos dias fossa (graças a maldita tpm, ou aos malditos homens na maioria das vezes), o que a gente mais quer é uma panela inteira de brigadeiro, e um clássico pró-depressão como "O Diário de Brigit Jones" por exemplo. Até curtir a fossa - quando bem aproveitada - é bom pra caramba. Tudo isso graças a oscilação da tal auto-estima.

Nunca fui uma garota de fazer virar pescoços masculinos, como a Juliana Paes. Muito pelo contrário. Baixinha, gordinha, nem sempre simpática (o que faz a auto-estima nem sempre estar no lugar certo), já passei poucas e boas nas mãos dela. São horas e horas insatisfeita com o espelho (ou seja, comigo mesma, pois o espelho nada mais é do que o meu reflexo) antes de sair de casa, mesmo pra ir pra faculdade. A pilha de roupas em cima da cama, o choro que "nada em mim fica bom", ou "to tãããão gorda", ou "meu cabelo é uma merda", e etc etc etc, já até cheguei ao ponto de falar para o meu pai comprar um espelho novo porque aquele estava com defeito. Ele sempre ri da minha cara quando isso acontece, e diz que "quando estamos insatisfeito com nós mesmos, nada fica bom". E, detesto ter que adimitir, mas ele tem toda razão. Até porque, quando minha auto estima tá nas alturas, eu invento roupas, invento moda, ouso qualquer coisa nova - e quase sempre é um sucesso.

Quando eu estava pra por o aparelho (nos dentes, sabe?) meu maior medo era a auto-estima sair correndo. Mas, contra isso, hoje mais do que nunca faço questão de passar em frente a obras, ou caminhoneiros: quanto mais fiu-fiu's eu ouço, mesmo de aparelho, melhor eu fico. Esse teste do peão e do operário é o melhor que há! O dia que você passar por eles e eles não mexerem com você, volte pra casa, amiga, pois alguma coisa de errado aí tem. Até agora, dois meses com o aparelho, minha tática vem dando certo. "Patinha feia hoje, Cisne daqui a dois anos".

A minha auto-estima financeira venho resolvendo aos poucos. Como não tenho tempo pra trabalhar, por causa das duas faculdades, comecei a vender a única coisa que uma gordinha que se prese sabe fazer bem gostoso: DOCES! Tudo, modéstia à parte, delicioso, e a preço de banana: 1 real! A variedade é ótima também, brigadeiros (branco, preto, branco e preto, e com pedacinhos de morango - castanhas a gosto do freguês), biscoitinhos e bombons. Não dá ÓÓÓ NOSSA O dinheiro, mas uns trocadinhos pro final de semana pelo menos eu tenho. Aos poucos, a auto-estima financeira vai ficando relativamente boa.

Mas não há exemplo melhor sobre a auto-estima do que os jogadores de futebol. Eles sim, são as maiores vítimas do incrível poder dela. Vide o exemplo do Botafogo: indiscutivelmente, o melhor time carioca que começou o ano. Podem vir os vascaínos, flamenguistas, tricolores, falar o que quiser, mas eles eram os melhores! O jogo emocionava! Era lindo ver o time jogando unido em campo, os gols de Dodô, a alegria do Cuca, aquela musiquinha da torcida, e tudo mais. O time estava com a bola toda! Mesmo perdendo o Estadual, mesmo não indo pra final da Copa do Brasil (graças a minha querida xará, Ana Paula, a bandeirinha mais bonita do mundo e, diga-se de passagem, sou realista ao ponto de afirmar que, se não fosse por ela, meu flusão não teria ganho a Copa do Brasil, e a gente não estaria respirando aliviado do jeito que estamos por já estar na Libertadores), mesmo com tudo de ruim que aconteceu, o time começou o brasileirão jogando bonito, esteve entre os primeiros (em primeiro até, se não me engano), até que... PLOFT! conseguiram fazer a auto-estima dos jogadores irem parar no chinelo (ou melhor, na chuteira).

Foi aquela invenção de dopping do Dodô? Foi olho grande?? Sei lá, não importa.. o fato é que, com a auto-estima baixa, o Botafogo não ganhava NADA! Nada mesmo, coitados.. era triste ver elezinhos indo embora do campo com mais uma derrota, dizendo "fazer o que, né?", os gols que não entravam, os juizes que "erravam", tudo conspirava contra eles. Culpa de quem????? Da tal auto-estima.

Minha vontade, de vez enquando, era entrar no vestiário deles - eu a do ra ri a, ui! - e tentar levantar-lhes a moral, sei lá, dar qualquer tipo de contribuição, nem que fosse um banho de arruda ou de pipoca pra melhorar a situação. Não o fiz, primeiro porque não sou botafoguense, porque não sei dar banho de arruda, e principalmente porque adoro cantar aquela musiquinha "NÃO GANHA NADA/ TIME DE CUZÃO/ FICA AI CHORANDO/ QUE ANO QUE VEM/ EU VOU PRO JAPÃO!!!". Se não, eu teria feito. Teria colocado a auto-estima deles no lugar onde devia estar. E eles teriam sido campeões do Campeonato Brasileiro ao invés do São Paulo.

Pelo menos, a umas rodadas atrás, eles se recuperaram, e fiquei feliz por eles. É bom que o Dodô volte a sorrir, para que deixe logo aquele time.

Mais uma prova que auto-estima TEM PODER!! E o dia que a sua estiver ruim, fale comigo, que eu consigo levanta-la num piscar de olhos! Nunca menosprese o que a sua auto-estima pode fazer por/de/com você, seja você homem, mulher, ou jogador de futebol. Lembre-se sempre: A Aninha (e os pedreiros) estão aí pra isso!

E uma ultima consideração: GRAÇAS A DEUS SOU TRICOLOR!















Notas:
- Ano que vem Dodô é nosso!!!! \o/

O jeito certo de cometer suicídio.

Eu fico pasma com as notícias que a gente costuma ler por aí, todo tipo delas. Tem cada coisa que acontece que mais parece piada inventada por um jornalista que não tinha mais sobre o que escrever, do que a pura realidade. Mas é a realidade. Esse mundo tá ficando cada vez mais doido (não sou só eu).

Mas enfim, não sei se vocês repararam, mas se matar tá na moda. Quer dizer, sempre esteve, mas por uma questão de ética, não se publica esse tipo de notícia em lugar nenhum, se matar é uma opção pessoal, a vida é sua, a morte também, e ninguém tem absolutamente nada com isso. Só que tem gente por aí que parece que tá se matando para chamar a atenção... não conseguem nem perder a própria vida de maneira discreta: tem que causar polêmica, receber os flashs, e virar estrelas (nem que sejam estrelas póstumas, como as estrelas - aquelas lá no céu, de verdade, que já morreram a zilhões de anos, mas só agora brilham).

Exemplo é o que não falta, como o caso daqueles adolescentes que morreram em acidente de carro, na Lagoa, quando saíram da boate, no ano passado (o motorista bebeu uma garrafa inteirinha de vodka e pegou o carro - depois não sabe porque morreu); como a perturbada que subiu no poste de alta-tensão e ficou dançando (ESSA FOI SENSACIONAL, não tive como não rir) e, por intervenção divina, não caiu (mas foi QUASE!); como o ladrão que pulou de uma ponte de 50 metros (CINQUENTA!!!) para FUGIR DA POLÍCIA e, ÓBVIO, bateu as botas; e, mais recentemente, aquele garoto de 17 anos que consumiu bebida alcóolica e tomou DEZ balas (comprimidos de ecstasy, não é bala juquinha não, por favor né) na Tribe, teve um troço e morreu (não quero voltar a discussão a respeito das raves não, todo mundo sabe muito bem o que eu penso - eu estava na rave e não morri!). PelamordeDeus, né, tá pedindo para morrer. Esse aí pelo menos foi bem sucedido, mas chamou tanta atenção que, graças ao irresponsável falecido, o local não vai receber mais eventos durante um bom tempo, além do circo todo que ele armou, né.

Outro dia, estava eu, feliz e contente, num ônibus lotado indo para a faculdade, passando pela ponte Rio-Niterói, ATRASADA, com um humor maravilhoso, eis que pego um grande engarrafamento, só para começar o dia bem. Motivo do engarrafamento: Uma mulher ameaçando se jogar do vão central. Nem sei se ela ainda esta viva para contar a história, mas, pelo tamanho do engarrafamento, ela enrolou tanto para pular que deve ter amarelado em cima da hora. Minha vontade, quando vi aquilo, era abrir a janela do ônibus e gritar: "PULA! PULA!" ou, quem sabe, ir pessoalmente lá dar um empurrãozinho a ela (literalmente).

Pensando nisso tudo, a amiga aqui resolveu dar uma ajuda aos problemáticos depressivos que não vêem mais a luz no fim do túnel e cogitam a possibilidade de suicídio, e criou o revolucionário MANUAL PARA O ALÉM. Simples e bem sucinto, ele é um conjunto de dicas que auxiliarão estas pessoas nesta hora tão trivial em suas vidas, de maneira rápida, prática, sem causar muita sujeita ou fofoca. Aqui vão algumas dicas:


1º passo: Decidir se matar.
A primeira coisa para cometer o suicídio é decidir se matar. Tenha motivos suficientes e convincentes para tal. Nada de "meu amor me deixou", "fui demitido", "minha vida não presta", etc etc e etc. Seja original. Arranje um motivo pelo qual não valha MESMO a pena viver. E que seja um motivo interno, sem influencias externas pois, para desligar a máquina antes da hora, nada nem ninguém tem que meter o bedelho nesta história. Ela é sua com você mesmo. SUICÍDIO - retirar a própria vida; VOCÊ SE matar; auto-assassinato; entendeu?

Motivo escolhido, vamos ao próximo passo.


2º passo: Decidir COMO se matar.
Este é um passo muito importante. É seu último ato. O seu Grand finale. Então, que seja com estilo! E seja prático, não pense em fins muito caros, que façam muita sujeira, ou muito barulho.

CORTAR OS PULOS? NEM PENSAR! Isso é fichinha. É coisa de quem não quer morrer de verdade. Até porque, não funciona, a não ser que o corte seja bastante profundo e esteja em água corrente, para causar A hemorragia, saca? E além do mais, imagina sua mãe ter que limpar aquilo tudo? Descarte essa opção.

De maneira NENHUMA pule de prédios. Possivelmente você vai cair em cima de algo ou alguém, e vai dar o maior prejuízo a quem não tem nada a ver com sua vida (ou sua morte), além de traumatiza-las, assusta-las, e reunir um bando de curiosos em volta para ver seu corpo todo desfigurado. Até hoje não consigo entender como aquele garoto da UFRJ foi para UERJ pular do décimo segundo andar. Imagina, você na janela, conversando distraído, até que cai um corpo assim, bem na sua frente? Tá maluco! Seja sensato com a sua morte e com os outros que estão em volta. Pular de pontes, ou pedras, ou qualquer coisa que tenha água (ou nada) embaixo até é uma boa, se você não ficar enrolando. Nada de "eu vou pulaaaaaaaaaar hein" "Não me segura que eu puloooo!!!", não.. chega de uma vez, grita "GERONIMOOOOOOO" no máximo, e vá com Deus. E seja rápido, se não você vai ficar com medo, e vai voltar ao passo 1.

Tomar remedinhos, produtinhos de limpeza.. arg, coisa de bicha! Se quiser ter overdose, aprenda com o moleque da rave: de 10 a 20 balas é perfeito. Mas faça isso dentro do seu quarto, de preferência, para não prejudicar a festa das outras 9.981 pessoas que estão lá para se DIVERTIR e não para se matar (descontei os 18 que passaram mal também). Com as químicas, você pode se sair mau sucedido e, no máximo, ir parar no hospital com uma puta intoxicação. Seja suicida porém inteligente.

Outra idéia estúpida é se tacar na frente de carros, ônibus, e adjacentes. Você pode ficar tretaplégico e não morrer. Cair de avião ou helicóptero também não é uma boa idéia. Não faça nada que alguém já tenha passado por isso e sobreviveu, é desanimador!

Enforque-se, caso tenha uma corda, tenha lugar para pendura-la, e SAIBA DAR AQUELE NÓ. Particularmente, eu não sei, nunca tentei, mas pelos filmes me parece ser MUITO complicado. Nozinho de sapato não serve não. Tem que ser um especial, e nisso não posso te ajudar.

Caso tenha uma arma, tiro na cabeça (ou na boca, pois explode o cérebro da mesma maneira, além de ser rápido). Só é meio barulhento, e não é todo mundo que tem uma 38 em casa, né. Mas eu considero o tiro a melhor maneira, junto com o veneno, igual Hitler fez.

Se você tiver acesso ao veneno, é uma boa. Mas tem que ser um veneno eficiente, de boa qualidade. Nem se importe se vai ser caro ou não, porque não vai ser você quem vai pagar seu próprio enterro e será seu ultimo investimento na vida. Se for veneninho de quinta categoria (como aqueles de rato, barata, ou armário da vovó), o que pode acontecer de mais grave com você é uma diarréia. Veneno bom é chiquérrimo! Grandes nomes da história e grandes personagens da literatura morreram assim (os da novela também. Imagina uma morte à lá Thais??? Produza-se linda(o) e bela(o), misture o veneno na sua bebida favorita, e pronto, não tem erro, fim da linha para você - e com muita classe, diga-se de passagem).

3º passo: Decidir QUANDO se matar.
Por favor, caro problemático, não venha fazer como a moça da ponte Rio-Niterói fez. Começo de semana, pela manhã, no único horário em que o trânsito fica consideravelmente bom, a mulher pára o transito para se matar, possivelmente por causa de um pé na bunda. Não faça isso JAMAIS! Os vivos e os que amam a vida ainda trabalham e estudam, pense neles! Escolha um horário propício, tipo, madrugada, ou o amanhecer. Escolha um lugar bonito ou especial, que você levaria com você por toda a eternidade. Faça do fim da sua vida, pelo menos, um pouquinho romântica, dramática, digna de cena de filme. Esteja calmo, e não se desespere, vai estragar a cena.

4º passo: Se despedir ou não se despedir? Deixar testamento ou não deixar testamento? Eis a questão..
Se você tem família, amigos, vizinhos, deixaria alguém triste ao saber da sua história ou com saudades ao saber que você partiu mais cedo, eu lhe aconselho a deixar sim algo escrito. Ou um presente. Ou qualquer coisa. Alguém se importa com você e, mesmo que você não se importe com ninguém, e não tenha herança boa para deixar no mundo, qualquer ultima palavrinha sua faria bem. Agora, se você não tem nada (nem para doar para caridade), nem ninguém, o outro lado te espera, vá logo e não enrola.

Agora é só respirar fundo, e ir com Deus (e que o diabo lhe carregue).

Mas minha última e mais importante dica é: há mil e umas maneiras de se matar infinitamente melhores do que todas essas idéias que dei aqui. Nada nunca está totalmente perdido, e nenhum motivo será suficiente para pensar em amarrar a corda no pescoço. Ao invés disso, morra de rir, morra de amores, morra de surpresa, se mate de trabalhar, mate o tempo, se afogue em lágrimas, se afogue na cachaça e na cerveja (durante uma noite só, tá, e vá de taxi - volte só se você lembrar), mate alguem de paixão e morra assim também, você não faz idéia do quanto é boa a vida depois dessas mortes. Este sim é o jeito certo de cometer suicídio. Morra pra essa vida que te daria motivos para pensar em morrer, que o paraíso que vem depois, quando se tem esperança, é muito bom. Você é uma espécie em extinção, portanto, não queira acelerar um processo que é inevitável, até porque, a gente mal nasce e já começa a morrer.

Agora ou depois, o fim de todo mundo é igual, seja a sete palmos do chão, seja virando pó (ou purpurina). E a vida é muito (MUITO mesmo) pra se resumir e acabar em uma rave, num pulo da ponte, ou numa insana escalada para dançar num poste de luz. Pensando bem... essa ultima até é uma boa, gostei da idéia, já que a mulher não morreu... eu posso também! (Não liguem o dia que aparecer no jornal: menina louca de 18 anos é resgatada pelos bombeiros - ui, delícia - dançando em cima de um poste de luz, na região metropolitana do estado do RJ.. ADOREI!)














mercredi, octobre 10, 2007

Momento Tia Ana Pasquale

Como muitos já sabem (ou não), o português que a tia da alfabetização nos ensinou vai mudar. Serão alterações relativamente pequenas (cerca de 0,5 a 2% do vocabulário será modificado) comparado à imensidão que é o nosso idioma. E justamente por causa disso é que eu acho que essa reformulação da língua é, digamos assim, muito idiota.

Ou a CPLP (Comunidade dos Países de Lingua Portuguesa) está muito chateada com o fato de, no papel, ninguém se entender ou eles realmente não tinham mais nada pra fazer, só agora viram que o português é um só e resolveram unificar a gramática. Uma língua leva gerações e gerações para ser construida pelo senso comum de uma sociedade, se tornar identidade cultural e... e aí vem alguem e passa a borracha.

Ainda não tem uma data certa, mas a previsão é que, a partir do ano que vem, sejam implantadas as mudanças gramaticais na língua portuguesa, com a justificativa de aproximar os países que falam português (Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, São Tomé e Principe, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Timor Leste).

Tá, nesse ponto eu tenho que concordar: nós, brasileiros, raramente conseguimos entender e nos comunicar (SEM RIR) com um típico português. No Bennett, por exemplo, há um número considerável de angolanos e geralmente tenho que me esforçar bastante pra entender o que eles querem dizer. É meio que um absurdo, paises-irmãos com tantas coisas em comum sejam incapazes de "falar a mesma língua". Mas, sinceramente, não acho que tirar o acento da "idéia" vá resolver o problema.

As desculpas são justas, mas a solução é pouquíssimo prática, e este tema tem causado tanta discussão que só falta virar motivo para separação de casamento. Eu, que nem gosto de discutir, não poderia ficar de fora. Outro dia, no meio de uma aula nada(-)a(-)ver de Política Internacional, caimos no assunto e começou o bafafá. O professor defendia com unhas e dentes que a reforma é hiper(-)necessária, porque, embora o português seja a terceira língua ocidental mais falada no mundo, um gringo que mexa com assuntos internacionais tem que aprender um português de Portugal e o português brasileiro, assim como livros estrangeiros tem que ser traduzidos para as duas "línguas diferentes", e isso dá muito trabalho, corríamos até o risco de desaparecer enquanto língua internacional. (Tá, você deve estar se perguntando: "e eu com isso?") _"Não sei quanto a você, mas acontece que eu não estou nem um pouco afim de chamar fila de 'bicha' ou ter de ir à padaria comprar um 'cacetinho' ".

Estas mudanças serão apenas ortográficas e não vão dar tanta dor de cabeça assim. Dentre as várias alterações estão:



  • A extinção da trema (essa daí até dá pra agu(ü)entar... não precisa mais ter duvidas de quando usa-la ou não), e de alguns acentos diferenciais (a frase "pára de ser péla, porra!", por exemplo, virará "para de ser pela, porra!" e perderá completamente a emoção);
  • Não há mais "vôo" com "enjôo". O acento circunflexo em situações assim foi enterrado. Vovô morreu de desuso, e foi enterrado seu chapeuzinho junto.
  • Perde-se o hífem em certas situações, nem eu vou mais poder usa-lo. Nem o "contra(-/r)regra" (que agora é junto).
  • Depois de muita discussão infantil no "adoleta", finalmente o K Y e o W entram oficialmente para o alfabeto, que agora possui 26 membros.
  • "Idéia", "jibóia", "assembléia" e até mesmo o coitado do "Araribóia" perdem o acento.

Moral da Histo(ó)ria: Baboseira pura. "Coisa de português" mesmo. A gramática fica mais enxuta, mas na verdade nada muda: continuaremos sem nos entender com angolanos ou portugueses direito. Mal entendemos o sotaque nordestino. E os países da CPLP tem tanto analfabetismo que pouca gente vai ligar para esta reforma ortográfica. Não sei dos outros, não conheço ninguem de Cabo Verde ou Timor Leste mas imagino que a situação seja a mesma. E ainda nem tá tudo certo, porque países como Portugal, por exemplo, estão resistindo em ratificar o acordo para não perder o "c" antes de "acto" ou o "p" antes de "óptimo". O grande problema é que, daqui a uns 2 ou 3 anos, os textos do meu blog estarão com "cara de coisa do século passado"

Bom para as crianças de agora, que não sofrerão tanto (como eu sofrí na época) para decorar a gramática, e já podem hoje fazer uma prova de português inteira sem pôr acento em nada. Quando vier a nota baixa no resultado, podem argumentar dizendo que já estão se adequando às mudanças ortográficas de 2008, e preferem não fazer confusão. Duvido que a tia não vá rir e reconsiderar.

E, é claro, esta não é a primeira vez que a gramática da língua é reformulada desde que o "Latim pobre" de Portugal chegou aqui. Seria até estranho continuar chamando as pessoas de "vosmicê", e essas coisas. Eu é que não quero ser considerada "antiquada" aos 18 anos por me posicionar contra a maldita reforma (só porque vou ter que desaprender e reaprender tudo denovo) pelos meus professores e pessoas de quase 200 anos. Então, se unificar é necessário, que venham as mudanças!


(cá entre nós, ainda quero saber se vai dar para parar sem acento no pa(á)ra e como vai ficar a situação da lingu(ü)iça no açouge, mas tá tranqu(ü)ilo.. no final das contas, com ou sem trema, a consequ(ü)ência é a mesma).













Notas:
- É sério.. um dia a faculdade de Letras ainda vai me deixar (MAIS) louca!

- Inutilidade pública é comigo mesmo o/ hauhauah




lundi, octobre 01, 2007

A CARA DO ESTADO

Como se já não bastasse a precária situação da Universidade Do Estado do Rio de Janeiro, que só quem convive diretamente com os problemas cotidianos da instituição tem plena noção do que é não ter portas em suas salas, não ter ventilador, carteiras, giz, apagador, para não dizer também a falta de professores em determinadas matérias (enfim, não ter condições básicas para que seja dada aula regularmente), fora a questão de infra-estrutura, que vai desde falta de bebedouros, péssimo estado dos banheiros, a situação das rampas e do próprio prédio em si, que chega a ser visível até para aqueles que passam apressados pelos arredores do quarteirão, e sem contar com os absurdos que ocorrem lá que, vai desde greves a suicídios, no domingo a UERJ pegou fogo.

E pegou fogo mesmo, literalmente. Uma suposta fagulha de uma solda que caiu sobre papéis teria conseguido incendiar total ou parcialmente seis andares, destruindo principalmente as salas da reitoria e da sub-reitoria. Pelo menos é o que está sendo divulgado pela imprensa, antes da perícia indicar o que realmente pode ter causado o incidente.

Mas já faz algumas semanas que a UERJ vem pegando fogo. O clima de tensão vem aumentando desde que foi anunciado o corte de cerca de 35 milhões na verba destinada à instituição (como se este dinheiro fosse completamente desnecessário). Foram feitos alguns protestos e passeatas de pouca repercussão por parte dos alunos nessas ultimas semanas, e o boato de greve, embora muitos o desmintam, ainda existe. Para completar, começou agora a campanha eleitoral dos candidatos à reitoria da universidade. Cartazes e mais cartazes colorem aquele ambiente cinzento. E o buxixo incessante põe mais lenha na fogueira. E no domingo, a UERJ finalmente pegou fogo.

Sou uma dos 23 mil alunos matriculados na uerj, uma dos aproximadamente dois mil alunos do curso de letras, uma dos que tiveram a sorte (ou azar) de ter tirado boas notas no vestibular e ingressado na vida acadêmica no primeiro semestre de 2006, depositando lá as suas esperanças e sonhos de um futuro promissor. Afinal, não é todo mundo que consegue passar para a uerj e isso passa a ser um mérito na vida de qualquer um, não é mesmo? Mas essas esperanças e sonhos vão se desmantelando com o tempo e com a carga de realidade com a qual nos deparamos desde o primeiro dia que botamos os pés lá.

Mal entrei na faculdade, me deparei com uma greve de quase três meses, que não resultou em melhoria alguma, e de quebra ainda passei janeiro e o começo de fevereiro estudando.

Fico pensando naqueles que já estão a mais tempo do que eu nessa batalha para conseguir um diploma, o quanto de esforços que eles já não devem ter feito para continuar enchendo a boca para dizer que estuda em uma universidade pública, que tem um currículo renomado e os melhores professores do Estado.

Fico pensando naqueles que desistiram. Aqueles que, de tanto acreditar, acabaram perdendo a fé em órgãos do governo, e viram que foi perda de tempo tentar investir em um futuro melhor. Largaram a faculdade e foram fazer qualquer coisa que exigisse pouca qualificação por aí e sobreviver disso para sustentar a família.

Fico pensando naqueles que estão vivendo sob pressão e perdendo o sono para conseguir uma vaga numa universidade de grande porte, como a UERJ. Naqueles que não podem pagar por um ensino particular e depositam meses (e por que não anos?) Inteiros da sua adolescência estudando para, no final de quatro anos ou mais, ganhar um diploma de persistência como prêmio de consolação.

Fico pensando também se, de lá de cima, onde estão sentadas as pessoas que podem resolver esta situação, dá para ver e sentir tudo isso. Será que eles se importam? Será que o imposto pago pelos meros mortais do Rio de Janeiro está mesmo sendo convertido em melhorias para a população? O incêndio de domingo foi mais uma gota d'água que comprova que a resposta é não.

A UERJ é a cara do estado, é todo o descaso materializado em 12 andares de concreto, aonde faltam coisas que falta a todo cidadão que neste estado vive. Falta segurança, falta infra-estrutura, sobram burocracia e promessas de que tudo será resolvido. Domingo, a uerj pegou fogo, e espero que ela não tenha que explodir e desabar de vez para que o governo do estado veja que a nossa situação é urgente.

mardi, août 21, 2007

Sempre fui cinéfila.

E é vergonhoso, mas tenho que admitir que dificilmente um livro me prendia a atenção. Era muito raro. Mas ultimamente tenho preferido de longe um bom texto a um filminho com pipocas. E olha que não são poucos os filmes que tenho visto!

Dizem que o filme, para te agradar, depende muito mais do momento que você está vivendo que do roteirista ou do diretor do filme, além do mais, filme bom mesmo, é aquele que fica grudado na sua cabeça até você gostar de outro (igual paixão). Mas nem os filmes que eu já vi (e adorei - ou pelo menos tinha adorado) têm me chamado atenção.

Acabei de desligar o aparelho de dvd com "Um Beijo a Mais" (Last Kiss) dentro. Fiquei semanas para conseguir alugá-lo, e, pelo o que li da critica, tinha pensado ser o melhor filme de todos os tempos dessa semana. Engano meu. Detestei. Meu bonequinho viu e dormiu durante ele. Historinha chata, clichê, e com toda certeza, escrita por um homem. Mostra como o relacionamento estável é complicado (isso eu concordo), e como casinhos extra-oficiais (como prefiro chamar) são coisa de gente fraca e promiscua. Pelo menos esse é o ponto de vista do machista que escreveu. Mostra muito drama, muito sexo e muitas mulheres loucas. Tudo bem que mulheres são loucas (sou mulher, sei bem disso), mas homem sair como vítima até dos seus próprios atos, aí já é demais! Primeira vez que vejo isso. Muito neandertal, pro meu gosto, o roteirista desse filme, sem falar que ele já deve ter tido aaaltos problemas de relacionamento, e, após possivelmente ter chifrado muito a mulher dele, resolveu escrever uma auto-ajuda-biográfica (se é que isso existe). Pelo menos foi essa a impressão que o filme me passou.

Em compensação, em meio a minha falta do que fazer, esses dias achei um blog de um cara que se diz "jornalista, musico, e passa o dia tentando entender o que se passa na cabeça das mulheres". É do Felipe Machado (colunista do "Palavra de Homem", do jornal JT – não, também não sei que jornal é esse). Muito bom, por sinal. Esse cara sim é homem (ou pelo menos é o homem que os homens deveriam ser): bem humorado, bem resolvido, mesmo com tantas duvidas sobre tudo (como todo mundo, né?). Versátil a ponto de amar futebol mas conseguir falar de novela melhor que eu!

Quem me lê há um certo tempo sabe que sou fã da Martha (a Medeiros, que escreve o "Ela Disse" todo domingo na Revista do jornal O Globo), e a probabilidade de eu não gostar (ou não me identificar) com algum texto dela é, aproximadamente, de uma em um milhão. Ela é escritora, mãe, mulher, e vive no mesmo mundo que a gente. Minha opinião é bem parecida com a dela em vários pontos, quando a leio, parece que alguém escreveu por mim o que eu estava pensando. Mostra o mesmo lado da (minha) moeda.

Já o Felipe Machado não. Ele mostra um ponto de vista diferente, um ponto de vista que eu sempre quis, mas nunca vou ter: o lado masculino da coisa. Que mulher no mundo nunca quis entender a cabeça deles?? Lógico, há alguns textos do Felipe (quanta intimidade, hein?) Que, embora bem escritos e humorados, não bateram muito comigo. E que bom, se não eu já ia achar estranho.. (tiradinhainfamenúmero1). Homens e mulheres não precisam (e nunca vão) concordar em tudo. Ainda bem! Que graça teria se todo mundo pensasse como eu?? Achei até legal eu ter assistido àquele filme (porcaria), porque, no mínimo, é a opinião de alguém que não pensa mesmo igual a mim. E pelo o que parece, é a opinião de muita gente também (ou os críticos foram pagos para falar bem dele). Mas eu aposto que, nesse momento, alguém deve estar lendo o meu texto, e o odiando (se é que alguém lê meus textos, né). E vendo filmes, e odiando eles também. Não gostar de algo refina tanto o seu gosto quanto algo que te agrada.

Eu tenho é que aproveitar essa minha fase mais textual do que visual pra ver se (enquanto pseudo-estudante de letras) tomo vergonha na cara e começo a ler mais, pra tentar enfrentar os grandes clássicos da literatura sem medo, e dizer (pode ser até numa rodinha de conversa no bar) se eu gostei ou não, ou quem sabe procurar mais blogs interessantes no google (como o do Felipe), de perspectivas (adoro essa palavra) diferentes da minha, e escrever cada vez mais, ao invés de ficar imaginando como eu dirigiria o meu filme. Seria ótimo entrar de cabeça nessa de textos ao invés de filmes para (minha mãe vai adorar saber disso) parar de uma vez por todas de gastar dinheiro em locadoras antes que eu vá a falência (e aproveitar para começar a minha dieta: menos filmes, menos pipocas e balinhas de morder, menos quilinhos a mais! - tiradinhainfamenúmero2).

A propósito, alguém ta afim de ir no cinema comigo ver "Paris, Je T'aime" e "Os Simpsons"?















Notas:
- Acho que batí meu recorde (de pensamentos entre parênteses) atrapalhando o texto: 26 quebra-molas numa estradinha de 80 metros (ou 8 parágrafos). (Quando eu vou perder essa mania, hein?)

- Já que eu citei, não vou deixar de fazer a propaganda, né? Tudo o que é bom é pra se divulgar:
--- Martha Medeiros (querida Martinha):
Há varios sites com textos dela. Um deles é o
http://www.pensador.info/autor/Martha_Medeiros/
E há tantos textos que eu amo que não dá nem pra enumerá-los.

--- 5 dos meus textos preferidos do Felipe Machado:
"Isto ou aquilo?"
http://blog.estadao.com.br/blog/palavra/?title=ou_isto_ou_aquilo&more=1&c=1&tb=1&pb=1
"Meu primeiro dia dos pais"
http://blog.estadao.com.br/blog/palavra/?title=meu_primeiro_dia_dos_pais&more=1&c=1&tb=1&pb=1
"Irritando Felipe Machado" (HAHAHA PRA MIM É O MELHOR! e a parte que ele encontra a escova?? nossa.. SENSACIONAL!)
http://blog.estadao.com.br/blog/palavra/?title=irritando_felipe_machado&more=1&c=1&tb=1&pb=1
"Meu ídolo, Homer Simpson"
http://blog.estadao.com.br/blog/palavra/?title=meu_idolo_homer_simpson&more=1&c=1&tb=1&pb=1
"Vestidas para matar" (qualquer semelhança com a minha pessoa é mera coinscidência!)
http://blog.estadao.com.br/blog/palavra/?title=vestidas_para_matar&more=1&c=1&tb=1&pb=1
"Os vilões vão ao Paraíso" (concordo plenamente! hauhauah viva os vilões!)
http://blog.estadao.com.br/blog/palavra/?title=title_139&more=1&c=1&tb=1&pb=1

lundi, août 20, 2007

Gato Extraordinário.

Pensei mil vezes antes de escrever essa besteira. Até porque (embora eu considere um bom presente), nunca vi ninguém dar textos pra ninguém de aniversário. Mas, se tratando de mim (remetente) e de ti (destinatário), podemos prever que tudo é possível. Sinto-me no direito de inovar, se é que você não se importe. Hoje descobri que não há pessoa no mundo mais difícil de presentear do que você. E foi nisso que acordei pensando...
Afinal, o que dar ao Diego?

Entrei numa livraria. Diferente de todas as outras vezes que entrei numa livraria, não me senti minúscula diante de tantos monstros da literatura. Nem J. K. Rowling me assustou (e olha que ela me assusta!). Tentei pensar como você. O que Diego leria? Neruda, Fernando Pessoa, Mario Quintana, Darcy Ribeiro, Chico, Clarice Lispector, García Marques? Acho pouco pra você. Nem todos os Andrades da literatura, nem meu amado Vinícius de Moraes, nem Nelson. Não consegui achar ninguém que pudesse te surpreender. Desisti do livro a tempo - e ainda bem, né (Octávio te deu um livro com tantos nomes dentro, que qualquer um que eu desse não faria frente com o livro dele!).

Aí lembrei dos filmes. Deve ter algum filme no mundo que você não tenha visto! E lá fui eu tentar adivinhar: Stanley Kubrick, Roman Polanski, Pedro Almodóvar, Louis Malle, Woody Allen? O acervo de dvd que tem nas Lojas Americanas é muito pequeno perto do que imagino ter na sua casa (ou na sua memória). Desisti.

Blusas? Meias? Sabonetes? Não.. Minha criatividade é muito limitada perto da sua. E qualquer presentinho seria pouco perto da minha admiração por você.

Você, com suas tiradas sensacionais; com o sotaquezinho mais fofo do que o dos mineiros; com sua capacidade de imitar o inglês britânico (o francês, o espanhol, o árabe ou qualquer língua que exista, ainda que não saiba falar um mero "bom dia" em cada um desses idiomas); você que não sabe contar piada, mas arranca risadas até do Robert Garner - a pessoa menos rível da face da terra; você, e o jeito natural de conjugar o verbo no "tu"; a sua grande coragem de largar um paraíso tropical de verdade (São Luis - com s ou z? - do Maranhão) pelo "Paraíso Tropical" de Gilberto Braga; a sua grande paciência de trabalhar de escravo naquela farmácia; o jeito culto com ar de banal; o sorriso tímido e a carinha de criança com um grande homem dentro; você, e a segurança que você me passa, o colinho que você me dá, e a capacidade de me aturar bêbada; como você suporta a sua gastrite numa mesa de bar; você, que não é hollywoodiano, mas deixa uma legião de fãs por onde passa.. Você, definitivamente, não merece um perfume do Boticário.

É, Diego, aceite o fato: você não é daqui. Ainda tenho sérias dúvidas se você é realmente do Maranhão. Acredito que não seja mesmo! Você não é do Brasil, não cabe no planeta Terra.. Você é de outro mundo (e de outra época bem mais à frente da nossa - o mundo de onde veio todos os outros grandes nomes da história.. Você é parente do Miró?)! Devias mesmo era fazer faculdade de Relações Interdimensionais-cósmicas-planetárias extraordinárias, se isso existisse.

Deixo aqui relatado em papel e caneta (tela e teclado) o quanto eu sou feliz por conhecer um grande homem como você. Ainda que eu não tenha conseguido achar um presente à altura, embrulho esse humilde textículo em papel de presente colorido e laço de fita pra te dar. Espero que goste. Esse aqui tá sem nota fiscal, e, por causa da época de liquidação, não é possível efetuar uma devolução. A moça da loja foi quem me disse. Era uma baixinha, rechonchudinha, de olhos puxados (a chamavam de "Aninha", se não me engano) quem me deu as informações e a idéia. Tinha um copo de caipirinha lá, também. E corações num bolo de glacê gostoso. Algum louco cantava "Gatas Extraordinárias" ao fundo e dava estalinhos nela. E ele estava com a cabeça longe.. Numa terrinha que toca tambor-de-crioula, e não é Santa Teresa. Também me disseram alguma coisa sobre escovas de dente rosas, verdes, não sei direito.. E chubacas, e dormir ouvindo um cara tentar conversar em inglês. Falou alguma coisa sobre ótimos momentos, eram tantos que não consigo enumerá-los. Aí lembrei de você, meu nobre amigo. Guarde esse presente com carinho, na sua memória.

Parabéns por ser você, e feliz aniversário.















Notas:

- Deu pra perceber que eu garimpei seu orkut, né? UAHUAHUAH Não conheço nem metade dos autores e diretores que pus aí. Mas, orkut é o novo material de pesquisa da vida moderna.. além de ótimo fofoqueiro: conta TUDO!

- Sabonetes sim, qual o problema?? Não que você seja sujo, muito pelo contrário. É que eu já dei sabonetes de presente.. hauhauha.

mercredi, août 08, 2007

Aquele texto que eu falei

que lí e adorei:
tirei de uma daquelas revistas fúteis de mulher que, depois dessa, ví que não são tão fúteis assim.

Carta ao Sono, de Fernanda Young
"Ontem, mais uma vez, esperei você por horas e você não veio. Hoje, passei a manhã inteira irritada por causa disso. Aí, você me aparece depois do almoço, sem a menor explicação, como se isso fosse normal. Eu cheia de coisas pra fazer e você querendo me levar pra tomar um café. Está querendo acabar comigo, é isso?
Uma amiga veio me abrir os olhos: nós estamos vivendo uma relação doentia. Eu estou me sujeitando aos seus horários e você está desrespeitando meus limites. Não e porque eu vou para a cama com você que eu deixei de chefiar o órgão onde você exerce a sua função.
Você tem faltado muito, e eu estou cansada disso. Quando não falta, demora a chegar e vem disperso, agitado, não ajudando em nada. Eu preciso de você tranqüilo, cumprindo seu dever, todos os dias, oito horas por dia, igual a todo mundo. Ou não posso garantir o bom funcionamento da nossa unidade.
Sono, sinceramente, qualquer probleminha que surge, você some. Tudo serve de desculpa para você não aparecer: uma conta para pagar, uma viagem de negócios, um caso de doença na família. Por mais que eu não queira te prejudicar, não posso agüentar um sono assim, tão inconstante.
A partir desta noite, não quero mais nenhuma irregularidade sua. Não estou exigindo que você seja perfeito, mas, na próxima vez que eu tiver de remediar alguma ausência sua, vou tomar medidas extremamente fortes. E não me importam as reações. Desejo uma convivência leve e sadia entre nós, mas prefiro ter você sempre pesado do que sofrer as conseqüências da atual situação.
Não posso entender porque você mudou tanto. Lembro das agradáveis noites que passamos juntos - você, eventualmente profundo, muitas vezes superficial, mas sempre presente em minha vida. Mesmo durante o dia, você dava um jeito de estar ao meu lado quando eu estava deprimida, de cuidar de mim quando eu ficava com febre, de aliviar meu stress quando eu trabalhava demais.
Agora, quase nunca posso contar com você. Você só aparece quando bem quer e quando eu menos preciso: num cinema, numa festa, num restaurante. Sua presença, antes tão gratificante, ultimamente só serve pra me atrapalhar.
Você jamais consegue estar comigo nas horas importantes, tem sempre algo complicado impedindo-o de chegar; mas sei de outras mulheres que dormem com você sem a menor dificuldade. Liguei pra uma colega minha, noite dessas, pra reclamar de mais uma das suas fugidas, e ela teve o desplante de dizer que não podia falar comigo porque estava na cama com você.
Enfim, estou com olheiras, e é por sua culpa. Mas sei que necessito dos seus serviços, então lhe dou este ultimato. Ou você toma jeito e volta a me deixar em paz, ou você afunda junto comigo".
(Fernanda Young é escritora, jornalista, apresentadora de tv, e sabe das coisas).

mardi, août 07, 2007

Anônimos.

_"Você é aquele lutador famoso, não é?" perguntava incessantemente o moço naquela sexta feira, na mesa do bar. Cismou com aquilo, coitado. Que o Pedro era lutador, e só estava negando porque lutadores campeões mundiais e famosos não podem revelar jamais sua verdadeira identidade.
Fora a inconveniência deste senhor (que, depois de pedir autógrafo pro garoto, me pediu um cigarro e um gole da nossa cerveja), o devaneio dele até que nos rendeu uma história e boas risadas.

Mas devo admitir que ele não estava, assim, tão errado não.

Não que Pedro seja um grande lutador - até porque não é (ou talvez até seja e tenha mentido pra gente - isso nunca iremos saber, né). Ele tinha toda razão quando falou sobre esconder sua verdadeira identidade.
Fazemos isso o tempo todo. Todos, na rua, fazem isso o tempo todo. Não sei se é pra passar despercebido aos olhos dos meros mortais e evitar o assédio, mas o fato é que somos verdadeiros artistas escondidos atrás dos nossos cartões de visitas habituais ("Oi,meunomeéanapaula,souestudantedeletraserelaçõesinternacionais,tenho18anos, prazer.), eu até diria super-heróis, verdadeiros super-homens fantasiados de Clark Kent.
Só nós sabemos do que somos capazes de fazer por baixo dos panos, ou naquela fração de segundo do piscar dos olhos de alguma pessoa: momentos mágicos e intermináveis em câmera lenta, mas ninguém viu, só você (ou talvez nem a gente tenha noção do que realmente somos capazes de fazer).
Nem mesmo sabemos o que um dia poderemos vir a ser. Vai que a Júlia (que naquele dia não passou de "esposa do lutador famoso") se case com o Minotouro (medalhista no Pan em vale-tudo - quer dizer, ACHO que foi medalhista, mas whatever) e vire de fato a "esposa do lutador famoso", ou vai que ela vire uma cineasta, escritora, e jornalista famosa (talento pra ser não lhe falta). Digo que só não virei estrela ainda porque a Globo não me achou e porque Almodóvar e Woody Allen ainda não me conhecem (AINDA!).
Brincadeiras à parte, eu conheço diversos desses super-heróis cotidianos disfarçados. Minha mãe é um deles. Trabalha de segunda à sexta, acordando às 5 da manhã, em dois hospitais e dando aula em 3 faculdades, fora as provas que tem que corrigir, os alunos e os pacientes que tem que aturar, dá supervisão de estágio em fisioterapia e concluiu o mestrado a pouco tempo, chega em casa às 11 da noite, ainda se dá o luxo de jantar bem, ver televisão e preparar as aulas do dia seguinte, que repetirá essa rotina tooooda denovo. Fora que é mãe e dona de casa nos horários vagos, tira o fim de semana pra fazer faxina e se preocupar com os problemas de dois filhos e um marido problemático, e JAMAIS abre mão de sair pra beber com os amigos na sexta feira. Tenho sérias dúvidas se minha mãe é daqui ou é de Kripton. Ela merecia Oscar, Prêmios Nobel, e ganhar muito dinheiro de salário no final do mês, mas prefere viver apenas como uma anônima (eu acho até melhor porque ela - nem eu - saberia lidar com o assédio dos fãs). "Oi, quem é você?" "Sou Ana Therezinha, mãe e fisioterapeuta, só" (SÓ?). E fala isso com o maior sorrisão no rosto.
Um dia ainda vou ser tudo aquilo que sou e que quero ser e acredito que ninguém vai me parar num bar e me pedir um autógrafo - embora tenha a certeza que um cigarro e um gole da cerveja vão sempre me pedir.

Antes eu achava que tudo na vida precisava de reconhecimento. Hoje, já penso que reconhecimento não é, assim, TÃO necessário: mais importante ainda é a SATISFAÇÃO de um trabalho bem feito. Saber que você deu o seu melhor, e fez a sua parte para que o mundo inteiro achasse que foi uma coisa banal.
Enquanto isso, o Clark Kent salva o planeta todos os dias. Enquanto isso, minha mãe salva uma porrada de vidas. Enquanto isso, Pedro vai ganhando suas lutas de vale-tudo. Enquanto isso, milhares de anônimos no Brasil e no mundo vão fazendo sua arte e sua parte, enquanto você tá sentado no computador, sem, teoricamente, ter mais o que fazer, lendo esse texto. Mas disso ninguém precisa saber, né?







notas:
- Quando eu for diplomata e salvar o mundo da fome, não vou ligar se vocês quiserem me mandar um cartãozinho postal lá pra França me parabenizando, pelo contrário, vou adorar! :D
- Jú, espero que você leia essa besteirinha e LEMBRE que eu ADORO sair com vocês: SEMPRE dá numa boa história!
- Meu amigo conhece o Minotouro, gente (UAU! Ó NÓSSA!)!! HUAHUAHAUH http://www.orkut.com/AlbumZoom.aspx?uid=12788948304263602357&pid=4
- Depois dessa, virem fãs anônimos da minha mãe, porque ela é foda, mas não a assediem, por favor, ela não sabe MESMO lidar com fãs (eu sei disso, sou fã dela!)! ;)
- E tem gente que ainda achava que eu faço coisa pra caramba.. Enquanto tava todo mundo fazendo alguma coisa de útil, eu tava aqui, sentada, como se não tivesse mais o que fazer, escrevendo esse texto! HUAHUAHAUH

mardi, juillet 31, 2007

Insônia

Voltei a dormir mal.
Voltei a gastar minhas madrugadas na internet esperando as tais coisas fabulosas (que nunca acontecem) acontecerem. Continuam não acontecendo. Pouco me importo. Pelo menos voltei a escrever. Voltei a gostar do fundo branco-sem-linhas do bloco de notas e continuo escrevendo pensamentos inúteis que ninguém - a não ser eu - lê. Pouco me importo também.
Por falar em insônia, lí esses dias um texto da Fernanda alguma-coisa sobre o sono, é sensacional e me apaixonei por ele (quando tiver paciencia o ponho aqui).
Descobri que ainda tenho a capacidade de me apaixonar pelo simples e pelo teoricamente banal. Isso é muito bom, ainda poder me apaixonar. Pessoas desapaixonantes são desinteressantes e nada surpreendente.
Parei de roer unha. Me surpreendí comigo mesma quando ví que era capaz. Elas continuam pequenas e vivem descascadas, mas pouco me importo. Pra mim, estão verdadeiras garras de gato, verdadeiras unhas de zé do caixão.
Continuo fazendo minhas caretas no espelho e descobrí que sou boa nisso. Antes de não-dormir à noite, passo horas adimirando essa minha incrível capacidade, geralmente antes e depois de escovar os dentes. Sou realmente muito boa nisso. Continuo a me surpreender comigo mesma a cada dia que passa.
Passo o dia inteiramente minha, confabulando com a minha cabecinha inquieta, e se eu tivesse um notebook (vovó, esteja lendo isso!) já teria escrito um livro. Ou quem sabe dois. Se eu fosse realmente inteligente (e rica) faria uma maquininha que registrasse os pensamentos clara e organizadamente. depois, montaria tudo e venderia meus provaveis best-sellers. Ou goiabada em potes. Descobri que sou apaixonada por goiabada em potes, estou surpresa! São tão docinhas e desmancham tão fácil na boca, além de ser a alma gêmea e a cara-metade do queijo minas. Goiabadas são simples, versáteis, e banais.. nada mais, nada menos do que sensacionais! Adoro Goiabada em potes.
Veja só... comecei falando de madrugada e termino falando de goiabada. Além de rimar, levaria um ZERO bem redondo se escrevesse uma redação assim.
Ainda bem que isso aqui só é arte, e nada mais. Literatura não-necessariamente tem que seguir regras ou ter de fato algum objetivo.

Será que eu fiquei maluca???
Não. É só a insônia...

vendredi, juillet 13, 2007

"E quem tem pudor quando ama?"

me fiz essa pergunta como quem se perguntasse as horas. A ouvi e, silenciosamente, achei que me caia bem como uma luva. Mas não contei.

"E quem tem pudor quando ama"? Levantei-me da mesa como se fugisse dessa frase. É Nelson Rodrigues, em "A Vida Como Ela É", um diálogo entre duas irmãs: uma santa, e a outra finge que é. A que finge, rouba o namorado da outra, então ocorre o dialogo entre as duas.

"E quem tem pudor quando ama"? Acendi a luz do banheiro, sem nem mesmo precisar procura-la. Já sabia onde estava. E a pergunta martelava na minha cabeça, como se quisesse me dizer alguma coisa. Foi aí que entendi. Essa pergunta não era uma pergunta. Voltei pra mesa em 2 minutos que solucionaram enfim as questoes que, fazia tempos, estavam sem respostas.

"E quem tem pudor quando ama"? Desculpe-me, eu não tenho. Chame a falta de pudor do que quiser: falta de vergonha na cara, falta de amor proprio, loucura, idiotice. Neste caso, chamo de paixão. E olha que paixão e pudor são duas coisas que não tem nada a ver. Água e óleo. Não se misturam. Paixão e razão não moram na mesma casa. Paixão te rasga a roupa enquanto a razão cata os pedaços no chão. Paixão te entrega num suspiro profundo e ardente, enquanto a razão te pede para acalmar. Paixão faz você fechar os olhos bem forte e deixar os sentidos guiarem seu atos enquanto a razão.. a razão foi embora. Paixão faz você perder os sentidos e perder a razão.

"E quem tem pudor quando ama"? Finalmente, estou perdoada.

jeudi, juin 21, 2007

EU PRECISO ANOTAR ISSO AQUI

antes que eu esqueça, tem que ir pro meu curriculo:

A teoria das Mudanças Inerentes ao Ser-Humano de Proposito Intimista não-Articulada por Elementos Externos (por Ana Paula - ainda sem nome artistico - e Yolanda Gonçalves)

mardi, avril 17, 2007

Boletim de ultima hora.

EXTRA! EXTRA!

# BLOG ENTREGUE ÀS MOSCAS ANALFABETAS #


Mas acredito que eu deva satisfações aos meus supostos leitores:

o tempo anda curto: época de provas (SINISTRAS) e começo de aulas na UERJ.
eles enchem a gente até o pescoço, com texto e mais textos - como se a gente não tivesse mais NADA pra fazer -, xerox e mais xerox - como se a gente fosse muito rico, e não tivesse mais nada pra comprar -, aulas extras e trabalhos para casa. um dia ainda me afogo em meio a taaaanto papel!
mas a vida segue né. vida de duplo-universitário é assim mesmo, quem mandou escolher isso?

e as coisas não deixam de acontecer.
agora tenho passado mais tempo no rio do que em niterói. fiz cópia da chave do apartamento da minha prima, e tenho ficado lá quase a semana inteira. desde que tirei esta cópia, descobri o quanto é precioso aquele cochilinho a tarde.. MUITO bom, acordo outra!! hauhauah

trabalho que é bom, nada! tinha começado a "tirar dúvidas" de criancinhas inocentes. elas pagavam 15 reais a "aula". mas depois que escrevi EXESSÃO (isso mesmo. exceção sem C e com SS ao invés do Ç), assassinei o portugues em pleno trabalho escrito pra faculdade, e o professor fez o favor de ler meu erro em voz alta, resolvi parar. tadinha das crianças! cheguei a dar uma aula - pra nunca mais! definitivamente, não nasci pra isso!

ah.. e estou cheia de planos! eita ano em que resolvi fazer tudo ao mesmo tempo! preciso de um dia de 36 horas, uma semana de 9 dias - mais um útil e mais um pro fim de semana, logico - e 15 meses por ano pra poder por tudo isso em prática. muitos dos meus planos nem chegaram a sair do papel, mas aquela "empolgaçãozinha" é sempre boa: maio tem encontro nacional de estudantes de relações internacionais em recife, junho tem o pan (ou é em julho?), julho tem bienal do livro (ou é em junho?), tem feira literaria internacional em paraty - flip - (esse é em junho mesmo! ..eu acho), tem enel (de estudantes de letras) em salvador (nao sei quando), tem mochilão pelo chile (se eu ganhar na mega-sena, logico) no fim do ano, e santa catarina para ver uma grande amiga que faz anos em setembro. lógico, são só planos. vo chegar ao fim do ano sem ter feito nada disso, ou não né.. mas bem que eu quero. E MUITO!

o coração continua apertado, e a fonte das palavras continua secando por causa deste periodo sem chuvas e sem grandes emoçoes.

mas, assim que puder, o momento BOLETIM do momentoAna voltará com novíssimas e quentíssimas informações.


Grandes beijos e obrigada pela audiencia. :)

mardi, mars 27, 2007

27/03 HOJE É DIA DO TEATRO E DO CIRCO!

ALEGRIA, ALEGRIA.. HOJE É DIA DOS SENHORES DA ALEGRIA!

Hoje é dia de celebrar a magia da interpretação, de você poder ser quem e o que você quiser ser. No picadeiro ou no palco, dentro do seu quarto ou no meio da rua, no cenário do dia-a-dia, na fala decorada ou no repentismo do improviso: a gente vive ato por ato, assim que as cortinas do dia se abrem até a hora que a cortina de seus olhos se fecha. Hoje é dia de cantar os sonhos que tivemos e ainda temos, as fantasias que vestimos para encarar um público de milhões de pessas nas ruas do mundo, ou mesmo das 45 dentro do onibus, na rotina cotidiana onde somos protagonistas da nossa própria história.

Hoje é dia de comemorar os olhos brilhantes das crianças (que fomos) cheios de esperanças e sonhos, que brilham ao ver a malabarista, o trapezista, a bailarina, o palhaço, o equilibrista, o moço que vende algodão doce e pipoca.. e aquela vontade de voar lááá no alto da lona. Hoje é dia de homenagear aqueles que escrevem, e atuam, e cantam e dançam, e se esforçam para fazer alguem viajar sem sair da cadeira de espectador.

Porque todo dia é dia de circo. Porque todo dia é dia de teatro. Todo dia tem um palhaço, uma mocinha, um vilão, um ladrão, uns coadjuvantes, e um montão de gente assistindo.

Hoje tem marmelada? tem sim sinhô! E QUE TODO DIA TENHA MARMELADA! Hoje tem palhaçada? tem sim sinhô! E QUE TODO DIA TENHA PALHAÇADA! E o palhaço o que que é? Ladrão de mulher! E QUE SEJA ASSIM PARA SEMPRE! Amém.


"Pessoas em alvoroço...Lambe-lambes espalhados por toda parte prenunciam uma alegria rara no ar : 'O circo está chegando na cidade'...Tudo que a gente aprende é pra ensinar....No boca-a-boca, no corpo-a-corpo....De avô pra neto, de amiga pra amigo-ranzinza...Debaixo da lona colorida, todos os personagens....E sob o sol da cidade, todas as pessoas...Tudo que a gente descobre é pra passar adiante....De pai pra filho...De irmã pra irmão...A vida nada mais é do que um grande circo em lona azul-estrelada e as pessoas são pontes umas pras outras....E no picadeiro do mundo, o meu hobby é saltar do alto do trapézio com a certeza musical de que não haverá queda...E você, o que anda fazendo debaixo das tendas??"
(Maíra Viana http://vergonhadope.blogger.com.br/ )

mercredi, mars 07, 2007

tanto, mas tanto tão sem..

ando tão sem inspiração, que não consigo mais nem contar meu dia pra alguem. nunca acontece algo de surpreendente.

ando tão sem inspiração, que não publico mais nem citações que gosto, ou textos que leio. o tesão pra ler fugiu junto com a tal da inspiração.

ando tão sem inspiração, que sou capaz de abrir o bloco de notas e não sentir nem aquela coceirinha no dedo que o branco da tela dá, aquela que me lembra que desse espação branco pode nascer muita coisa.

ando tão sem inspiração, que minhas frases não rimam mais. que não consigo concluir um pensamento de forma tocante. que não exponho mais a minha opinião entre parênteses. que não consigo botar meu coração no que faço. mal ponho acento nas vogais, e os pingos dos i's ainda estão aí somente porque escrevo no computador. esqueço as letras maiúsculas, o caderno em casa ao ir pra faculdade e se quer me preocupo em prestar atenção na aula. a vontade, quando viu que o tesão e a inspiração fugiram, saiu correndo junto.

não tenho mais paciencia pra sentar e ficar à espera de um milagre, mas tambem não tenho mais a disposição de uma sonhadora de 14 anos pra fazer as coisas acontecerem.

não tenho mais vontade de comer, não tenho mais vontade de dormir nem quando to com sono, mas também não aguento mais estar acordada.

fase? "inferno astral"? do que mais chamam a falta de amor ao dia de hoje, na hora de agora?

ando tão sem inspiração, que o resto que ainda tinha se esgotou antes que eu acabasse o texto.

e antes de dormir, desejo todos as noites para que um passarinho verde traga no bico os sentimentos fugidos, antes que eu enlouqueça, antes que tudo que ainda me resta vire ilusão também.

sou movida à paixão..
mas e quando o gás acaba, e você não sente o coração palpitar nem pelo por-do-sol mais bonito?
aí a gente pára.

lundi, mars 05, 2007

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as palavras secaram?
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