samedi, février 14, 2009

Já posso ver lá longe, no horizonte, seus estandartes chegando. Imponentes, coloridos, vivos. Já posso ouvir a batucada, já quase não podendo mais distinguir o que é tambor e o que é meu coração. Já posso ver as pessoas ao redor sorrindo, esperançosas, ansiosas. Até ouço risos lá debaixo. Já posso até sentir a energia emanada por essa louca cinestesia. Mal posso esperar.

É um exército aquilo que vem? É um arrastão? E o que é isso que eu estou sentindo?
São só os 7 dias que antecedem o carnaval.

lundi, janvier 26, 2009

"(...) É engraçado onde vai parar o pensamento quando a gente fica muito feliz e não sabe direito o que fazer dessa felicidade, fica besta e belo e carrega um vulcão que, outrora adormecido, começa a espreguiçar-se, ainda sonolento, me fazendo tremerem as mãos e esbaterem-se os joelhos.

Minhas tremedeiras me fazem cócegas.

Meu pensamento anda se dividindo em cenas, depois em frames e você me esganaria se pudesse conectar um plug no meu ouvido e extrair dos meus miolos as imagens que eu registrei. Ah, sim, você teria um belo filme. Devia existir uma maquina que roubasse as imagens do cérebro - roubasse não, copiasse. Devia existir também a que apagasse (...). Eu acho que você dirigiria um filme bonito com minhas memórias, onde eu seria a Ana que seu olho vê, apesar de que, eu sei que a Ana que seu olho vê perdeu muito da delicadeza nas minhas teimosias.

(...) Ia ter um sol cor d'ouro, tulipas vermelhas e arbustos amarelos, donde coelhos de orelhas longas saem pra me cumprimentar religiosamente todos os dias. (...) Teria o portão que leva ao farol, gate closed at dusk, a garagem e os carros a venda. O extenso gramado ainda queimado pelas neves invernais, a praia de pedras, os cães e suas bolas e donas de muita idade, o homem de terno soltando uma pipa cor de rosa em forma de tubarão voador. O homem de shorts muito curtos que corre todos os dias no mesmo horário que eu. A Ms. Mc'Algumacoisa, que me saúda da varanda em seu robe azul claro com sua canequinha de girassóis. O Caravan Park nas centenas de traillers coloridos e homens lavando seus carros e backpackers e curiosos.

Ia ter as ovelhinhas e suas mães me encarando pela cerca e fazendo barulho, os golfistas jovens fazendo charme usando tacos como bengalas de pernas cruzadas não sei bem se flertando ou esperando a próxima jogada. E haveria - como não haver? - o farol reluzindo a luz nórdica, imponente, fálico. E, com alguma sorte, uma foca preguiçosa se revirando ao sol numa pedra a meio mar.

Então haveria eu. Eu inclinada diante da pequena fonte, eu bebendo água como quem beija um beijo úmido e bom. Eu, meio Pipin e meio Stella, fazendo charme para os golfistas. Para os velhos, os jovens. Para os colegas trabalhando no bar da Halfway House. Eu fazendo charme para mim nessas horas que por estar feliz a gente se sente mais singelo e se perdoa quase tudo.

Eu caminhando, minha sombra alongada desdobrando-se pela estradinha de asfalto rústico, pela areia, pela brita. A silhueta afinada de uma mulher de sonhos simples buscando a necessária leveza para na hora que o vento - seja o que leva ou o que traz de volta - soprar, não haja que se fazer nem mesmo o mínimo esforço para se deixar levar.

Decolar.

Saudade,
Ana"


( Carta de Ana - uma outra Ana longe e com saudade, e bem feliz -, em http://caixadesapatos.blogspot.com )

lundi, septembre 01, 2008

Não era amor.

Eu sei quando eu to apaixonada. É facil saber.

Os sintomas eram até parecidos, e era tão fácil confundir quanto quando se confunde um simples resfriado com uma gripe de te deixar dias de cama. Você só tem certeza depois que passa. Mas até passar, você já tentou remediar com todos os medicamentos que haviam dentro da gaveta.

Depois você vê, "meu Deus, que bobagem!"


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Não era amor, não era paixão, também não era uma vontadezinha leviana. Mas que mania maluca a nossa, de querer classificar tudo que existe!

Você não sabe o que é, você só sabe que é forte. Você não sabe o por quê, nem como, só sabe que é. E não tem que ser, apenas é. E é bom. Não precisa ser, mas faz bem. Não tem futuro. Nem passado. É hoje, aqui, agora. Não interessa. Você finge que não é nada, mas sabe que é. Você vive bem sem, mas vive melhor com.

É líquido, flutuante, confortável, e está em constante movimento, como agua do mar ou da cachoeira. Às vezes calmaria, às vezes ressaca ou tromba d'água. É a corrente que te leva, e você que se deixa levar.

Não é chão nem porto seguro, mas quem precisa disso quando já se está segura?

Parece errado. Mas no fundo, no fundo, você tem uma certeza absurda de que é certo.

Não, não era paixão, nem amor. Era melhor.



"Se não era amor, era da mesma família. Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados. A carência. A saudade. A mágoa. Um quase desespero, uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não se sabe se vai ser antes ou depois de se chocar contra o solo.

Eu bati a 200 km por hora e estou voltando á pé pra casa, avariada.

Eu sei, não precisa me dizer outra vez. Era uma diversão, uma paixonite, um jogo entre adultos.

Talvez este seja o ponto. Talvez eu não seja adulta o suficiente para brincar tão longe do meu pátio, do meu quarto, das minhas bonecas.

Onde é que eu estava com a cabeça, de acreditar em contos de fada, de achar que a gente muda o que sente, e que bastaria apertar um botão que as luzes apagariam e eu voltaria a minha vida satisfatória, sem seqüelas, sem registro de ocorrência?

Eu não amei aquele cara. Eu tenho certeza que não.

Eu amei a mim mesma naquela verdade inventada.

Não era amor,era uma sorte. Não era amor, era uma travessura. Não era amor, eram dois travesseiros. Não era amor, eram dois celulares desligados. Não era amor, era de tarde. Não era amor, era inverno. Não era amor, era sem medo.

Não era amor. Era melhor".

(é da Martha Medeiros. Só podia ser.)

jeudi, août 07, 2008

Herrar é o mano!

Quantas e quantas vezes já me disseram isso, e tantas outras eu já não disse também? Parece uma função fisiológica nossa cometer erros. Eu erro, tu erra, eles eram.. Ops, errei. Tu erras, e não menos que eu. Nada mais humano que cometer enganos.

Quem nunca apostou alto pela opção errada? Marcou c) quando a resposta era a) ? Ou afirmou com toda a convicção do mundo que era com SS, quando na verdade era com Ç? Leu o endereço errado, confundiu os números do telefone, pegou o trajeto mais longo e o onibus que não era pra ter pego?

Que jogador nunca perdeu um pênalti ou errou o passe por ter se adiantado ou se atrasado em questões de milésimos de segundos? Que goleiro nunca frangou? Que cantor nunca errou a letra da própria música?

Quem nunca se deixou levar, quando o vento, repentinamente, resolveu soprar pro lado errado? Quem nunca agiu por impulso e se arrependeu depois? Quem jamais entrou naquele conflito banal 'cabeça x coração' e saiu perdendo no final? Quem nunca acreditou no que não devia, se apoiou no que não devia, foi mais longe do que devia? Quem, alguma vez, não passou da conta, extrapolou, comeu demais, bebeu demais, dormiu demais, perdeu a hora? Julgou errado, se julgou errado? Enganou sem querer, e se enganou também?

Se enganar é normal. Dar passos em falso é mais certo que caminhar em segurança. Desculpe, mas sou humana, passível de erro, imperfeita, com fraquezas e limitações. Me apresente uma só pessoa no mundo que não seja assim, para que ela possa, enfim, me jogar a primeira pedra.

E mesmo que todos errem, me cobram uma postura infalível, numa sociedade onde, erroneamente, não se comete deslizes, onde não se conjuga o verbo no tempo errado, onde nunca erraram numa conta matemática. Eu posso estar errada, mas isso não é vida para mim. Antes um erro sincero que uma verdade forjada - virou um princípio.

Dizem que é errando que se aprende. Que é errando várias vezes que se acerta. E quer saber ao certo? Pra mim, que não aprendo mesmo, tanto faz. O meu certo é o errado, o normal é o anormal, não quero mais me esforçar para acertar. Quanto mais eu me policio para me enquadrar em um perfil certinho, menos vivo sendo eu, na minha condição: humana, com H maiúsculo, mulher latino-americana de sangue bem quente, que se queima nas próprias confusões, mas faz questão de estar sempre vivendo, ainda que isso a remeta ao erro constante. Sou gente, que respira fundo e perde a respiração de vez enquando, aquecida a 36º, oscilante entre "sim" e "não", e não uma constante previsível de estatística desumana.

E herrar não é nada menos que umano.
Ou estou errada?

mardi, août 05, 2008

Eu, o Felipe, e a China.

Se você é uma daquelas pessoas que até se esforçam para estar por dentro de tudo, mas depois de queimar grande parte dos seus neurônios, percebe que são as coisas que, definitivamente, não conseguem entrar na sua cabeça, você está lendo o blog da pessoa certa.

Muito feio uma aspirante a internacionalista confessar isso, mas estou completamente por fora dos jogos olímpicos de Pequim. Quer dizer, até sei uma coisa ou outra, como por exemplo que aquela menina do volei se recuperou do machucado que eu nem sabia que ela teve e vai jogar, que o menino do handball que foi cortado porque fumou maconha, e que o Thiago Silva é dúvida no jogo de depois de amanhã, mas, em geral, não sei de mais nada. E estou tão preocupada com isso quanto em descobrir quem matou o Marcelo em A Favorita (que, por sinal, nem assisto, mas acho interessante).

Eu não sustentaria cinco minutos de conversa com alguém que sabe quantos atletas brasileiros vão participar desta olimpíada. Não porque não gosto, não é isso. Até acho legal, e tal, mas não consigo entender muita coisa que tá acontecendo lá do outro lado do mundo. E olha que lá ta acontecendo coisa pra caramba! Mas, sinceramente, os jogos olímpicos são, dessas coisas a saber, a última que me apetece.

Não, eu não concordo. Preferia que os jogos fossem em qualquer outro lugar no mundo menos hipócrita. Preferia que fossem na Etiópia. E não cabe mais gente na China. Li algumas coisas sobre o cotidiano de lá para um trabalho da faculdade, e soube que há engarrafamento de pedestres nas calçadas, e até mesmo guardas para este tipo de trânsito. Sem falar na poluição. Se eu já fico triste ao ver, da ponte Rio-Niterói, o sol se pondo na núvem cinza de poluição do Rio de Janeiro, imagina não poder enchergar o céu?? Que que eles vão fazer com os dejetos e os restos que sei-lá-quantos mil turistas e atletas do mundo inteiro deixarão por lá? Cada um vai levar o seu pra casa? E aqueles casos de terremoto, furacão, e coisas do gênero, que a pouquíssimo tempo atrás devastaram cidades inteiras? Alguém se lembra disso? Tibet é na China, sabia? E aposto que eles não pararam com os conflitos para assistir à abertura dos jogos, embora a minha televisão não esteja mais mostrando quase nada. A cara de pau dos líderes também é curiosíssima. Como não misturar questões políticas e ideológicas, intrínsecas às diferenças culturais, ainda que o esporte (e a arte, e coisa e tal) seja linguagem universal?

Você sabe? Não, nem eu. Tá tudo muito lindo na televisão, mas na minha opinião, a China não é - e está longe de ser - paraíso de alguma coisa, quiçá dos jogos olímpicos. Talvez eu mude de opinião.

Mas o Felipe (o Machado, aquele cara do blog que eu gosto) está na China. E está vendo as coisas sob um olhar muito interessante. Tem até um blog
http://blog.estadao.com.br/blog/pingpong/ onde ele vem relatando a sua viagem. Para quem não entende nada e também não foi à China (como eu), vale a pena acompanhar!

O Felipe e a China formaram uma dupla e tanto! Acredito que ainda dê muuuito pano pra manga. E o que eu tenho a ver com isso?? Absolutamente nada.










Notas:
- Eu juro que não odeio a China. Muito longe disso. Acho a cultura milenar oriental interessantíssima, vejo tudo com muito fascínio e curiosidade, e como toda boa curiosidade, teria prazer em desvendar mais sobre o assunto. Muitos amigos meus aqui da faculdade vão falar sobre ela na monografia. Mas que não é esse carnaval todo, ah, por favor! Deixa o carnaval aqui com a gente! Em 2016 a gente faz um dígno, garanto.
- Olimpíadas da Etiópia foi péssimo, pegou malzão. =\