jeudi, mars 27, 2008

"_Eu amo o mundo! Eu detesto o mundo! Eu creio em Deus! Deus é um absurdo! Eu vou me matar! Eu quero viver!
_Você é louco?
_Não, sou poeta".
(Mário Quintana)

"e vamos ver se no ano de 2008 você terá tempo de sentir saudades"

Tem nem dois minutos que Zeca Camargo terminou o ultimo "Fantástico" do ano de 2007 com essa frase.

Eu tinha prometido pra mim mesma que, ao invés de fazer pirraça contra as resoluções de ano novo, este ano eu não faria é a retrospectiva. Mas ao ouvir essa frase, não tive como não pensar em tudo que passei neste ano que passou.

Não falemos mais de passado, não quero nem me esforçar pra falar deste ano que se foi, mas se eu pudesse escolher uma palavra pra sintetizar tudo, eu diria "Saudade". Este é o resumo do ano.

2007 não foi um ano do qual eu sentiria saudade, foi o ano da saudade. Amigos, amores, entes queridos, hábitos, momentos, tive que dizer muito "Adeus". "Adeuses" molhados de lágrimas, cobertos de emoção, de amor ou raiva. Foi tanto "Adeus" que mal tive tempo de dar "bom dia" às coisas novas. Foram tantas perdas que cheguei até a esquecer a minha tão confortável consciencia do efêmero, como se eu tivesse tomado um porre e acordasse no dia seguinte com a memória vazia, e um peso enorme na cabeça.

Serviu pra olhar pra dentro, arrumar a casa, colocar pingos nos is e as coisas no lugar. Ainda assim, doeu (e muito) ter que passar por esse ano. Foi a dor do crescimento. Entendi que não tenho mais 15, nem 14 anos, e também estou muito longe dos 60. No ano da saudade, perdi um tantinho de tudo. Perdi desde a minha tia até meu celular. Perdi melhores amigas, bons amantes, perdi a hora, a cabeça e a razão.

Mas, passado a ressaca, parece que meu ano novo já começou. Sei lá, mas acho que foi bom. Aumentei minha fé e minha esperança, me tornei mais paciente, menos tolerante com coisas que eu não deveria ser jamais tolerante, e aprendi, além de gostar mais de mim, a gostar mais das pessoas que gostam de mim de verdade. Usei aquela saudade acumulada nestes ultimos 365 dias como gasolina para os próximos, e para relembrar que tudo na vida passa, e não dá pra, no meio desse vai-e-vem enjoativo, pedir pro barco parar. Não falemos mais de passado. O hoje é muito mais interessante e válido. Fecho mais um capítulo assim: as lições de vida ficam comigo, o resto fica pra trás, e prefiro nem lembrar mais.

E vamos ver se no ano de 2008 eu terei tempo de sentir saudades.

Quanto ao fim da CPMF, ao Pan 2007, o IPCC ou o São Paulo campeão, é, eu lembro, foi em 2007.
Devo ser mesmo uma pessoa muito atrasada, com valores ultrapassados. Tenho sonhos que despedaçam em milhares de caquinhos de ilusão, como se fosse frágil. Devo ser frágil. A roupa de menina forte já não cabe mais em mim, devo ter engordado, ou já sou grande o suficiente a ponto de não precisar mais me esconder dos meus medos e dos meus sentimentos. Sinceridade fragiliza. Devo ser uma grande pessoa, por não caber mais em mim. Tenho uma necessidade estranha de estar dividindo, transmitindo, extravasando as coisas. Necessidade de multidão, embora a solidão já seja uma das minhas melhores amigas.

Um bilhete para uma amiga.

É, amiga.. não acredito em quase nada que não venha do coração.
Razão? Ela sabe muito pouco, isso sim! Nós, com todas as nossas preocupações, pensamos demais antes de dar um ou dois passos - que, de tanto pensar, acabam sendo mal dados - por isso sou fã de carteirinha e adepta a tudo que vem do fundo.. assim como seu amor por ele, assim como minha amizade por você, assim como tudo que penso hoje.
Paixão, por mais que seja errada, é pura, é simples, é poderosa, move mundos. É pura porque paixão a qualquer coisa, ou a qualquer pessoa, vem de um só lugar, e faz o coração bater aflitamente mais rápido. E quanto mais a gente corre pra se esconder dela, mais ela da sinal de vida dentro de nós. Sem saber, deixamos ela transbordar pelos olhos, secar nossa boca. A respiração ofegante, o frio na barriga e o nervosismo nos entregam quase que inconscientemente, até os gestos mais banais são a comprovação disso.
No fundo no fundo, não queremos esquecer, e damos graças a deus por não seguirmos com o coração vazio.
Sofrer faz parte, independente da sua escolha. Sofre-se até se escolhermos por não sofrer mais. Qualquer SIM é um NÃO para uma outra coisa, não há escapatória.
Eu, pelo menos, acredito que não tenha nascido pra ser feliz de fato, nasci mesmo é pra viver e me doar a cada coisa que a vida me proporciona. Se, no momento, ela quer que seja assim, eu tenho mais é que viver desse jeito. Daqui a pouco acontecerão coisas maravilhosas, eu vou lembrar tudo que já passei e vou rir da vida.
É, amiga.. vou na direção aonde meu coração bata mais forte! Minha paz tá dentro de mim, e não nos outros. Parei de procurar. Viver se jogando dá a impressão de que cada dia é o meu melhor dia, cada amor é pra sempre e será sempre o maior da minha vida.

mercredi, février 20, 2008

Está um dia lindo hoje.

É tão estranho pensar nas voltas que a vida dá.. Sejam elas rodopios rápidos e intensos, ou lentos movimentos de criança dançando ciranda ao som de um passarinho qualquer.

Eu tava lá fora fumando um cigarro, num canto escondido - é o teto do auditório Turcker (aqui no Bennett é expressamente proibido fumar cigarros) -, olhando a fumaça branca que sem pressa saia da ponta do cigarro e subia muito bonita ao céu, como se fosse nuvem. Olhando no céu uma nuvem branca que, sem pressa, ia flutuando levinha, como se fosse fumaça. Está um dia lindo hoje. Tem sol forte e um vento gostoso. Olhava a goteira do ar condicionado que me lembrou a chuva que de certo vai cair mais tarde. E me senti besta. Bela e muito besta.

Um desses giros, dessa dança estranha da vida, me trouxe de volta cenas que eu tinha guardado sabe-se lá onde, bem no fundo da minha memória. Nada que me fizesse chorar, nenhum fato em especial: um recreio de oitava série ou primeiro ano no Centrão. Meus olhos marejaram.

O Centrão era um lugar mágico, um espaço à parte no centro de Niterói. O Centrão era a minha melhor escola do mundo, depois do Centrinho. No Centrão havia esculturas no meio do jardim, um pátio grande, coberto, suas pilastras de ferro pretas. Uma quadra poliesportiva, um cantinho de areia com redes de volei, as partes-de-fora das janelas das salas, uma laje em cima da guarita da portaria, que dava medo de subir. O moço que vendia seus sanduiches através da grade do portão da frente ("frangomilhobatataecenoura, saladadeovos, baguetedequeijoepresunto, com guaravita é 2 reais"), tinha também o Will, o baleiro (a quem devo uns trocados até hoje) que jogava chicletes e pirulitos pelo muro, e nós jogavamos o dinheiro, que espatifava no meio da Amaral Peixoto. A cantina com coca-cola era o máximo! As escadas, os esconderijos, a partezinha lá de tras que dava no laboratório de informatica e tantas outras passagens "secretas". Os laboratórios de ciência, as salas de arte, o teatro: meus favoritos. A parede pintada com o Alecrim dourado que nasceu no campo sem ser semeado (não sei nem se era essa a intenção deles, mas, desde pequena, aquela parede me lembrava essa canção; acabei batizando-a assim).

Não sei por que, mas todos os dias do Centrão eram dias de sol com vento, como hoje. Na minha memória, só eles ficaram marcados. Até quando chovia, e chovia forte, era tudo tão claro e iluminado que parecia dia de sol. Eu lembro até do cheiro! Ver as fotos que vi, de outras pessoas que não eram eu, não eram da minha época e nem estudavam lá, felizes, fazendo arte, sorrindo e cantando aonde eu sorria e cantava todos os dias, me fez chorar. Chorei igual uma criança, em frente ao computador. Nunca tirei nenhuma foto que me remetesse a essas lembranças, na minha época de estudante lá. Mas fechei os olhos bem forte, e foi como se há dois minutos atrás eu estivesse no recreio, naquele pátio com pilastras pretas, na aula de artes, não querendo que desse 15:30, porque eu ia ter que ir embora.

Depois de ver as tais fotos que vi por acaso, eu fui lá fora fumar meu cigarro escondida. E está um dia lindo hoje! Um dia de oitava série no Centrão em pleno 3º ano de faculdade no Bennett. O vento me fazia cócegas, e na copa das árvores daqui também, igualzinho lá. O bambuzal daqui fez o barulho igualzinho ao que de lá fazia. Aquela fumaça bonita subindo, o vento querendo secar minhas lágrimas, e eu querendo molhar meu rosto mais e mais, de tanta emoção. O choro é tão necessário quanto a risada, quando se está feliz. Assim como o sorriso é tão necessário a tristeza, quando se está triste. Emoção nunca escolhe como vai vir à tona, e se emocionar com tão pouco não é mais pra todo mundo. A saudade bonita que eu senti foi bem forte e, imagino eu, daqui a uns anos, chorando de saudades daqui. Saudade não é dor, é o prazer de saber que se teve momentos bem vividos e inigualáveis. Comparáveis, talvez, mas nada que jamais possa ser igual.

É tão estranho pensar nas voltas que a vida dá.. Mas é assim. A vida gira e roda sem percebermos e sem nos deixar tontos. Vale a pena ter dias tão lindos como estes, aonde a gente se sente belo e muuuito besta por coisa alguma - nem que seja apenas pra chorá-los depois.

Sei lá por que, mas estou feliz sem motivo algum. E, eu juro, está um dia especialmente lindo hoje.