lundi, août 20, 2007

Gato Extraordinário.

Pensei mil vezes antes de escrever essa besteira. Até porque (embora eu considere um bom presente), nunca vi ninguém dar textos pra ninguém de aniversário. Mas, se tratando de mim (remetente) e de ti (destinatário), podemos prever que tudo é possível. Sinto-me no direito de inovar, se é que você não se importe. Hoje descobri que não há pessoa no mundo mais difícil de presentear do que você. E foi nisso que acordei pensando...
Afinal, o que dar ao Diego?

Entrei numa livraria. Diferente de todas as outras vezes que entrei numa livraria, não me senti minúscula diante de tantos monstros da literatura. Nem J. K. Rowling me assustou (e olha que ela me assusta!). Tentei pensar como você. O que Diego leria? Neruda, Fernando Pessoa, Mario Quintana, Darcy Ribeiro, Chico, Clarice Lispector, García Marques? Acho pouco pra você. Nem todos os Andrades da literatura, nem meu amado Vinícius de Moraes, nem Nelson. Não consegui achar ninguém que pudesse te surpreender. Desisti do livro a tempo - e ainda bem, né (Octávio te deu um livro com tantos nomes dentro, que qualquer um que eu desse não faria frente com o livro dele!).

Aí lembrei dos filmes. Deve ter algum filme no mundo que você não tenha visto! E lá fui eu tentar adivinhar: Stanley Kubrick, Roman Polanski, Pedro Almodóvar, Louis Malle, Woody Allen? O acervo de dvd que tem nas Lojas Americanas é muito pequeno perto do que imagino ter na sua casa (ou na sua memória). Desisti.

Blusas? Meias? Sabonetes? Não.. Minha criatividade é muito limitada perto da sua. E qualquer presentinho seria pouco perto da minha admiração por você.

Você, com suas tiradas sensacionais; com o sotaquezinho mais fofo do que o dos mineiros; com sua capacidade de imitar o inglês britânico (o francês, o espanhol, o árabe ou qualquer língua que exista, ainda que não saiba falar um mero "bom dia" em cada um desses idiomas); você que não sabe contar piada, mas arranca risadas até do Robert Garner - a pessoa menos rível da face da terra; você, e o jeito natural de conjugar o verbo no "tu"; a sua grande coragem de largar um paraíso tropical de verdade (São Luis - com s ou z? - do Maranhão) pelo "Paraíso Tropical" de Gilberto Braga; a sua grande paciência de trabalhar de escravo naquela farmácia; o jeito culto com ar de banal; o sorriso tímido e a carinha de criança com um grande homem dentro; você, e a segurança que você me passa, o colinho que você me dá, e a capacidade de me aturar bêbada; como você suporta a sua gastrite numa mesa de bar; você, que não é hollywoodiano, mas deixa uma legião de fãs por onde passa.. Você, definitivamente, não merece um perfume do Boticário.

É, Diego, aceite o fato: você não é daqui. Ainda tenho sérias dúvidas se você é realmente do Maranhão. Acredito que não seja mesmo! Você não é do Brasil, não cabe no planeta Terra.. Você é de outro mundo (e de outra época bem mais à frente da nossa - o mundo de onde veio todos os outros grandes nomes da história.. Você é parente do Miró?)! Devias mesmo era fazer faculdade de Relações Interdimensionais-cósmicas-planetárias extraordinárias, se isso existisse.

Deixo aqui relatado em papel e caneta (tela e teclado) o quanto eu sou feliz por conhecer um grande homem como você. Ainda que eu não tenha conseguido achar um presente à altura, embrulho esse humilde textículo em papel de presente colorido e laço de fita pra te dar. Espero que goste. Esse aqui tá sem nota fiscal, e, por causa da época de liquidação, não é possível efetuar uma devolução. A moça da loja foi quem me disse. Era uma baixinha, rechonchudinha, de olhos puxados (a chamavam de "Aninha", se não me engano) quem me deu as informações e a idéia. Tinha um copo de caipirinha lá, também. E corações num bolo de glacê gostoso. Algum louco cantava "Gatas Extraordinárias" ao fundo e dava estalinhos nela. E ele estava com a cabeça longe.. Numa terrinha que toca tambor-de-crioula, e não é Santa Teresa. Também me disseram alguma coisa sobre escovas de dente rosas, verdes, não sei direito.. E chubacas, e dormir ouvindo um cara tentar conversar em inglês. Falou alguma coisa sobre ótimos momentos, eram tantos que não consigo enumerá-los. Aí lembrei de você, meu nobre amigo. Guarde esse presente com carinho, na sua memória.

Parabéns por ser você, e feliz aniversário.















Notas:

- Deu pra perceber que eu garimpei seu orkut, né? UAHUAHUAH Não conheço nem metade dos autores e diretores que pus aí. Mas, orkut é o novo material de pesquisa da vida moderna.. além de ótimo fofoqueiro: conta TUDO!

- Sabonetes sim, qual o problema?? Não que você seja sujo, muito pelo contrário. É que eu já dei sabonetes de presente.. hauhauha.

mercredi, août 08, 2007

Aquele texto que eu falei

que lí e adorei:
tirei de uma daquelas revistas fúteis de mulher que, depois dessa, ví que não são tão fúteis assim.

Carta ao Sono, de Fernanda Young
"Ontem, mais uma vez, esperei você por horas e você não veio. Hoje, passei a manhã inteira irritada por causa disso. Aí, você me aparece depois do almoço, sem a menor explicação, como se isso fosse normal. Eu cheia de coisas pra fazer e você querendo me levar pra tomar um café. Está querendo acabar comigo, é isso?
Uma amiga veio me abrir os olhos: nós estamos vivendo uma relação doentia. Eu estou me sujeitando aos seus horários e você está desrespeitando meus limites. Não e porque eu vou para a cama com você que eu deixei de chefiar o órgão onde você exerce a sua função.
Você tem faltado muito, e eu estou cansada disso. Quando não falta, demora a chegar e vem disperso, agitado, não ajudando em nada. Eu preciso de você tranqüilo, cumprindo seu dever, todos os dias, oito horas por dia, igual a todo mundo. Ou não posso garantir o bom funcionamento da nossa unidade.
Sono, sinceramente, qualquer probleminha que surge, você some. Tudo serve de desculpa para você não aparecer: uma conta para pagar, uma viagem de negócios, um caso de doença na família. Por mais que eu não queira te prejudicar, não posso agüentar um sono assim, tão inconstante.
A partir desta noite, não quero mais nenhuma irregularidade sua. Não estou exigindo que você seja perfeito, mas, na próxima vez que eu tiver de remediar alguma ausência sua, vou tomar medidas extremamente fortes. E não me importam as reações. Desejo uma convivência leve e sadia entre nós, mas prefiro ter você sempre pesado do que sofrer as conseqüências da atual situação.
Não posso entender porque você mudou tanto. Lembro das agradáveis noites que passamos juntos - você, eventualmente profundo, muitas vezes superficial, mas sempre presente em minha vida. Mesmo durante o dia, você dava um jeito de estar ao meu lado quando eu estava deprimida, de cuidar de mim quando eu ficava com febre, de aliviar meu stress quando eu trabalhava demais.
Agora, quase nunca posso contar com você. Você só aparece quando bem quer e quando eu menos preciso: num cinema, numa festa, num restaurante. Sua presença, antes tão gratificante, ultimamente só serve pra me atrapalhar.
Você jamais consegue estar comigo nas horas importantes, tem sempre algo complicado impedindo-o de chegar; mas sei de outras mulheres que dormem com você sem a menor dificuldade. Liguei pra uma colega minha, noite dessas, pra reclamar de mais uma das suas fugidas, e ela teve o desplante de dizer que não podia falar comigo porque estava na cama com você.
Enfim, estou com olheiras, e é por sua culpa. Mas sei que necessito dos seus serviços, então lhe dou este ultimato. Ou você toma jeito e volta a me deixar em paz, ou você afunda junto comigo".
(Fernanda Young é escritora, jornalista, apresentadora de tv, e sabe das coisas).

mardi, août 07, 2007

Anônimos.

_"Você é aquele lutador famoso, não é?" perguntava incessantemente o moço naquela sexta feira, na mesa do bar. Cismou com aquilo, coitado. Que o Pedro era lutador, e só estava negando porque lutadores campeões mundiais e famosos não podem revelar jamais sua verdadeira identidade.
Fora a inconveniência deste senhor (que, depois de pedir autógrafo pro garoto, me pediu um cigarro e um gole da nossa cerveja), o devaneio dele até que nos rendeu uma história e boas risadas.

Mas devo admitir que ele não estava, assim, tão errado não.

Não que Pedro seja um grande lutador - até porque não é (ou talvez até seja e tenha mentido pra gente - isso nunca iremos saber, né). Ele tinha toda razão quando falou sobre esconder sua verdadeira identidade.
Fazemos isso o tempo todo. Todos, na rua, fazem isso o tempo todo. Não sei se é pra passar despercebido aos olhos dos meros mortais e evitar o assédio, mas o fato é que somos verdadeiros artistas escondidos atrás dos nossos cartões de visitas habituais ("Oi,meunomeéanapaula,souestudantedeletraserelaçõesinternacionais,tenho18anos, prazer.), eu até diria super-heróis, verdadeiros super-homens fantasiados de Clark Kent.
Só nós sabemos do que somos capazes de fazer por baixo dos panos, ou naquela fração de segundo do piscar dos olhos de alguma pessoa: momentos mágicos e intermináveis em câmera lenta, mas ninguém viu, só você (ou talvez nem a gente tenha noção do que realmente somos capazes de fazer).
Nem mesmo sabemos o que um dia poderemos vir a ser. Vai que a Júlia (que naquele dia não passou de "esposa do lutador famoso") se case com o Minotouro (medalhista no Pan em vale-tudo - quer dizer, ACHO que foi medalhista, mas whatever) e vire de fato a "esposa do lutador famoso", ou vai que ela vire uma cineasta, escritora, e jornalista famosa (talento pra ser não lhe falta). Digo que só não virei estrela ainda porque a Globo não me achou e porque Almodóvar e Woody Allen ainda não me conhecem (AINDA!).
Brincadeiras à parte, eu conheço diversos desses super-heróis cotidianos disfarçados. Minha mãe é um deles. Trabalha de segunda à sexta, acordando às 5 da manhã, em dois hospitais e dando aula em 3 faculdades, fora as provas que tem que corrigir, os alunos e os pacientes que tem que aturar, dá supervisão de estágio em fisioterapia e concluiu o mestrado a pouco tempo, chega em casa às 11 da noite, ainda se dá o luxo de jantar bem, ver televisão e preparar as aulas do dia seguinte, que repetirá essa rotina tooooda denovo. Fora que é mãe e dona de casa nos horários vagos, tira o fim de semana pra fazer faxina e se preocupar com os problemas de dois filhos e um marido problemático, e JAMAIS abre mão de sair pra beber com os amigos na sexta feira. Tenho sérias dúvidas se minha mãe é daqui ou é de Kripton. Ela merecia Oscar, Prêmios Nobel, e ganhar muito dinheiro de salário no final do mês, mas prefere viver apenas como uma anônima (eu acho até melhor porque ela - nem eu - saberia lidar com o assédio dos fãs). "Oi, quem é você?" "Sou Ana Therezinha, mãe e fisioterapeuta, só" (SÓ?). E fala isso com o maior sorrisão no rosto.
Um dia ainda vou ser tudo aquilo que sou e que quero ser e acredito que ninguém vai me parar num bar e me pedir um autógrafo - embora tenha a certeza que um cigarro e um gole da cerveja vão sempre me pedir.

Antes eu achava que tudo na vida precisava de reconhecimento. Hoje, já penso que reconhecimento não é, assim, TÃO necessário: mais importante ainda é a SATISFAÇÃO de um trabalho bem feito. Saber que você deu o seu melhor, e fez a sua parte para que o mundo inteiro achasse que foi uma coisa banal.
Enquanto isso, o Clark Kent salva o planeta todos os dias. Enquanto isso, minha mãe salva uma porrada de vidas. Enquanto isso, Pedro vai ganhando suas lutas de vale-tudo. Enquanto isso, milhares de anônimos no Brasil e no mundo vão fazendo sua arte e sua parte, enquanto você tá sentado no computador, sem, teoricamente, ter mais o que fazer, lendo esse texto. Mas disso ninguém precisa saber, né?







notas:
- Quando eu for diplomata e salvar o mundo da fome, não vou ligar se vocês quiserem me mandar um cartãozinho postal lá pra França me parabenizando, pelo contrário, vou adorar! :D
- Jú, espero que você leia essa besteirinha e LEMBRE que eu ADORO sair com vocês: SEMPRE dá numa boa história!
- Meu amigo conhece o Minotouro, gente (UAU! Ó NÓSSA!)!! HUAHUAHAUH http://www.orkut.com/AlbumZoom.aspx?uid=12788948304263602357&pid=4
- Depois dessa, virem fãs anônimos da minha mãe, porque ela é foda, mas não a assediem, por favor, ela não sabe MESMO lidar com fãs (eu sei disso, sou fã dela!)! ;)
- E tem gente que ainda achava que eu faço coisa pra caramba.. Enquanto tava todo mundo fazendo alguma coisa de útil, eu tava aqui, sentada, como se não tivesse mais o que fazer, escrevendo esse texto! HUAHUAHAUH

mardi, juillet 31, 2007

Insônia

Voltei a dormir mal.
Voltei a gastar minhas madrugadas na internet esperando as tais coisas fabulosas (que nunca acontecem) acontecerem. Continuam não acontecendo. Pouco me importo. Pelo menos voltei a escrever. Voltei a gostar do fundo branco-sem-linhas do bloco de notas e continuo escrevendo pensamentos inúteis que ninguém - a não ser eu - lê. Pouco me importo também.
Por falar em insônia, lí esses dias um texto da Fernanda alguma-coisa sobre o sono, é sensacional e me apaixonei por ele (quando tiver paciencia o ponho aqui).
Descobri que ainda tenho a capacidade de me apaixonar pelo simples e pelo teoricamente banal. Isso é muito bom, ainda poder me apaixonar. Pessoas desapaixonantes são desinteressantes e nada surpreendente.
Parei de roer unha. Me surpreendí comigo mesma quando ví que era capaz. Elas continuam pequenas e vivem descascadas, mas pouco me importo. Pra mim, estão verdadeiras garras de gato, verdadeiras unhas de zé do caixão.
Continuo fazendo minhas caretas no espelho e descobrí que sou boa nisso. Antes de não-dormir à noite, passo horas adimirando essa minha incrível capacidade, geralmente antes e depois de escovar os dentes. Sou realmente muito boa nisso. Continuo a me surpreender comigo mesma a cada dia que passa.
Passo o dia inteiramente minha, confabulando com a minha cabecinha inquieta, e se eu tivesse um notebook (vovó, esteja lendo isso!) já teria escrito um livro. Ou quem sabe dois. Se eu fosse realmente inteligente (e rica) faria uma maquininha que registrasse os pensamentos clara e organizadamente. depois, montaria tudo e venderia meus provaveis best-sellers. Ou goiabada em potes. Descobri que sou apaixonada por goiabada em potes, estou surpresa! São tão docinhas e desmancham tão fácil na boca, além de ser a alma gêmea e a cara-metade do queijo minas. Goiabadas são simples, versáteis, e banais.. nada mais, nada menos do que sensacionais! Adoro Goiabada em potes.
Veja só... comecei falando de madrugada e termino falando de goiabada. Além de rimar, levaria um ZERO bem redondo se escrevesse uma redação assim.
Ainda bem que isso aqui só é arte, e nada mais. Literatura não-necessariamente tem que seguir regras ou ter de fato algum objetivo.

Será que eu fiquei maluca???
Não. É só a insônia...

vendredi, juillet 13, 2007

"E quem tem pudor quando ama?"

me fiz essa pergunta como quem se perguntasse as horas. A ouvi e, silenciosamente, achei que me caia bem como uma luva. Mas não contei.

"E quem tem pudor quando ama"? Levantei-me da mesa como se fugisse dessa frase. É Nelson Rodrigues, em "A Vida Como Ela É", um diálogo entre duas irmãs: uma santa, e a outra finge que é. A que finge, rouba o namorado da outra, então ocorre o dialogo entre as duas.

"E quem tem pudor quando ama"? Acendi a luz do banheiro, sem nem mesmo precisar procura-la. Já sabia onde estava. E a pergunta martelava na minha cabeça, como se quisesse me dizer alguma coisa. Foi aí que entendi. Essa pergunta não era uma pergunta. Voltei pra mesa em 2 minutos que solucionaram enfim as questoes que, fazia tempos, estavam sem respostas.

"E quem tem pudor quando ama"? Desculpe-me, eu não tenho. Chame a falta de pudor do que quiser: falta de vergonha na cara, falta de amor proprio, loucura, idiotice. Neste caso, chamo de paixão. E olha que paixão e pudor são duas coisas que não tem nada a ver. Água e óleo. Não se misturam. Paixão e razão não moram na mesma casa. Paixão te rasga a roupa enquanto a razão cata os pedaços no chão. Paixão te entrega num suspiro profundo e ardente, enquanto a razão te pede para acalmar. Paixão faz você fechar os olhos bem forte e deixar os sentidos guiarem seu atos enquanto a razão.. a razão foi embora. Paixão faz você perder os sentidos e perder a razão.

"E quem tem pudor quando ama"? Finalmente, estou perdoada.